Auditar ou pagar a dívida pública não resolve nada, diz Humberto Matos, do canal Saia da Matrix

Em entrevista à TV 247, o historiador diz que é “rigorosamente falso” o discurso de que se deixarmos de pagar a dívida pública sobrará dinheiro para gastarmos no combate à crise do coronavírus (assista)

Historiador e Youtuber Humberto Matos, do canal Saia da Matrix
Historiador e Youtuber Humberto Matos, do canal Saia da Matrix (Foto: Reprodução)
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247 - O discurso feito em defesa da auditoria da dívida pública - ou da redução de seu juro - é um grande desserviço à classe trabalhadora. A explicação é do professor e youtuber Humberto Matos, do canal Saia da Matrix, que deu no último sábado (4) uma entrevista a Carlos Hortmann, do programa Conexão Lisboa, da TV 247, sobre o papel do Estado durante a pandemia do coronavírus.

Em seu canal, o historiador tem produzido conteúdo sobre economia política (e história da moeda) com o objetivo de promover debates, mas também de proporcionar materiais educativos que apresentem a teoria de suas reflexões e as contradições e mistificações que a ideologia capitalista procura naturalizar.

Durante a entrevista, o professor Humberto procurou analisar alguns dos problemas relevantes e complexos da economia, bem como o mito neoliberal da austeridade, a impressão de dinheiro, inflação, dívida pública e o debate do pleno emprego levantando pelo deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). 

Sobre a dívida pública, Humberto foi enfático na sua crítica à proposta da ‘Auditoria Cidadã da Dívida’, ao dizer que quem defende a redução dos juros da dívida ou sua auditoria “parte da mesma visão de orçamento público que a direita parte, daquela ideia de que o governo primeiro deve arrecadar [imposto] para depois gastar”. 

“Se tem uma ideia de que a dívida pública existe para ser paga e é paga com o nosso dinheiro. E isso é um discurso muito forte porque é intuitivo e as pessoas se revoltam quando veem a parcela que foi paga em juros e amortizações destinadas a bancos, que já ganham muito”, explica. Ele afirma que é “rigorosamente falso” o discurso de que se deixarmos de pagar a dívida pública sobrará dinheiro para gastarmos no combate à crise do coronavírus.

“Se a gente parar de pagar a dívida agora, se dermos um calote parcial, o governo brasileiro perde o seu sistema de financiamento. Não se terá mais dinheiro para se combater a crise. O dinheiro simplesmente desapareceria. Se produziria exatamente o oposto daquilo que a Auditoria Cidadã da Dívida defende. É uma visão completamente equivocada”, conclui. Para ele, “o discurso de auditoria dívida só deseduca a classe trabalhadora.”

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