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Azul faz voo experimental com biocombustível

Batizado de Azul+Verde, projeto é pioneiro no desenvolvimento de bioquerosene a partir da cana-de-açúcar na aviação mundial

Azul faz voo experimental com biocombustível (Foto: Lucas Lacaz Ruiz/Folhapress)

247 com assessoria de imprensa - A Azul Linhas Aéreas Brasileiras, em parceria com a Amyris Inc., Embraer e GE realizou nesta terça-feira, 19, um voo experimental com biocombustível produzido a partir da cana-de-açúcar. Com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um jato E195 da companhia partiu do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e fez uma passagem sobre a Cidade Maravilhosa.

Batizado de Azul+Verde, o projeto teve início em novembro de 2009 com o objetivo de testar um novo conceito de desenvolvimento de combustível renovável para jatos.

"O compromisso da Azul em reduzir a utilização de produtos petrolíferos voláteis vai além de diminuir nossos custos", disse Flávio Costa, vice-presidente Técnico-Operacional da Azul. "O principal objetivo é inovar na prestação de serviços e conscientizar nossos clientes que eles estão optando por uma companhia aérea que, não só se preocupa com o meio ambiente, mas que está agindo para preservá-lo".

Estudo realizado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) sobre o ciclo de vida dos gases de efeito estufa do bioquerosene da Amyris mostra que ele pode reduzir em até 82% a emissão de dióxido de carbono em comparação ao querosene de origem fóssil.

"O biocombustível da Amyris foi desenvolvido para ser compatível com o querosene de aviação (A/A-1) para jatos. Foram feitos uma série de testes que mensuraram seu desempenho", disse John Melo, presidente & CEO da Amyrs. "O voo de demonstração é um marco importante no nosso programa de combustível para jatos e nos permitirá prosseguir nos objetivos de aprovação internacional e de comercialização".

Esse combustível, chamado de AMJ 700, é feito com o uso de microorganismos modificados que trabalham como fábricas vivas, convertendo o açúcar em puro hidrocarboneto. Tal método resulta em um querosene renovável que, após certificado, atenderá aos padrões mais rigorosos da aviação e da American Society for Testing and Materials (ASTM).

Para o voo experimental, foi utilizada uma mistura equivalente de querosene de aviação comum com querosene renovável obtido a partir da fermentação da cana-de-açúcar (4,5 mil litros), o que torna esse um voo inédito na aviação brasileira.

"Durante os testes realizados no início deste ano, em Ohio, nos Estados Unidos, o biocombustível da Amyris atingiu os requisitos técnicos desejáveis", disse Steve Csonka, diretor da Estratégia Ambiental e de Ecomagination da GE Aviation. "Em conjunto com as novas tecnologias constantemente empregadas no desenvolvimento e certificação de motores, este bioquerosene certamente ajudará a cumprir as metas ambientais da indústria de aviação".

Mauro Kern, vice-presidente-executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer, assinalou que não foi necessário implementar qualquer modificação ou adaptação à aeronave antes deste voo de demonstração. "Os testes realizados pela Embraer com o biocombustível da Amyris no Brasil foram um sucesso. Isto confirma o potencial de desempenho deste combustível renovável, seja em termos técnicos, seja em termos ambientais", comentou Kern. "Ficamos felizes com o sucesso técnico deste programa e continuaremos comprometidos com o desenvolvimento de tecnologias de ponta capazes de contribuir com a sustentabilidade da aviação, dentre elas, os biocombustíveis".

Adalberto Febeliano, diretor de Relações Institucionais da Azul, disse que a empresa acredita muito na tecnologia apresentada pela Amyris. "O Brasil conta com uma abundância de terra produtiva, o que faz com que o cultivo da cana-de-açúcar não tenha que competir com os demais cultivos, como o de alimentos", assinalou. "Esperamos que seja possível adotar esse combustível em voos comerciais no médio prazo, com uma produção em larga escala, sendo economicamente viável".

O Azul+Verde tem apoio institucional do Banco Pine, BR Aviation, Total e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).