Bahiagás ocupa pole position na compra do prédio da Desenbahia

Companhia baiana de distribuio de gs passou frente da construtora, tornando-se principal candidata a comprar sede da Desenbahia, avaliada em mais de R$ 27 milhes

Victor Longo_Bahia 247 – A construtora baiana Odebrecht sofreu um tropeço durante o sonho de trazer para Salvador o complexo comercial nova-iorquino Rockfeller Center. A pedra no caminho da gigante imobiliária tem nome, e chama-se Bahiagás. A Companhia de Gás da Bahia – concessionária dos serviços de distribuição de gás natural canalizado no estado – passou a frente da Odebrecht na compra do prédio da Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), localizado no Caminho das Árvores, ao lado da sede do jornal A Tarde. "Os presidentes de ambas as instituições afirmaram que as negociações já estariam 90% concluídas", contou a fonte.

O presidente da Bahiagás, Davidson Magalhães, confirmou a informação à reportagem: "É verdade, nós somos interessados e as negociações estão bem avançadas", assegurou. Segundo Magalhães, a ideia é que a sede da companhia migre para o local. Hoje, a Bahiagás funciona provisoriamente no prédio da Suarez, na mesma região.

A sede da Desenbahia é de interesse declarado da Odebrecht, que já é proprietária de outros edifícios e terrenos na região – como o prédio da Universidade Salvador (Unifacs) –, além de negociar a compra da sede do jornal A Tarde. A construtora tem o interesse de construir no local uma versão baiana do Rockfeller Center, um famoso complexo de prédios comerciais localizados no centro de Midtown Manhattan,em Nova Iorque(EUA).

A Desenbahia fica na parte de trás da Tancredo Neves, avenida do Caminho das Árvores que se tornou o centro financeiro e empresarial de Salvador, sendo uma das regiões mais valorizadas da cidade. O metro quadrado no local não é vendido por menos de R$ 4 mil. A sede da Desenbahia tem quase 7 mil metros quadrados e é avaliada em cerca de R$ 28 milhões. 

Licitação

Um dos pontos que colocam a Bahiagás à frente da Odebrecht nas negociações é o fato de ser um órgão em parte público, o que facilitaria a transferência da sede, driblando a burocracia e evitando um processo de licitação de concorrência privada. Sem isso, dificilmente a Bahiagás seria capaz de cobrir uma oferta da Odebrecht, gigante da construção que possui empreendimentos em todo o Brasil e mundo afora.

Segundo a presidente da comissão de licitação da Desenbahia, Sílvia Borges, a venda do prédio da instituição só será realizada a partir de meados de 2012, depois de realizada a mudança para uma nova sede. No entanto, ela enumera as vantagens de vendê-lo a um órgão não privado. "A lei estadual 9.433 dispensa a realização de processo licitatório na transferência da propriedade para um ente público", esclareceu. Na diretoria da Desenbahia, muitos dizem à boca pequena que a probabilidade de a Bahiagás comprar a sede é bem maior. Porém, nada está definido: além da Desenbahia, o Tribunal de Justiça do Estado (TJ) também já manifestou interesse na compra do edifício.

Antes de vender a atual sede, a Desenbahia deverá realizar a compra de um novo prédio nos próximos doze meses. Com essa intenção, a instituição publicou um edital de manifestação de interesse em seu site e designou uma comissão de 14 pessoas para cuidar do tema. Cinco propostas já foram recebidas, mas apenas duas atendem aos requisitos de prazo e localização apresentados pela Desenbahia: um edifício da construtora Morada Ltda, localizada no Stiep, e outro da Sertenge S/A, situado no início da avenida Luiz Viana (Paralela), entre as sedes da Advocacia Geral da União (AGU) e o Ministério Público Federal (MPF).

No edital, o presidente da Desenbahia, Luiz Alberto Petitinga, explicou os requisitos. "O imóvel deverá situar-se nas proximidades do novo centro financeiro de Salvador, em local que ofereça acesso a transporte urbano, segurança, iluminação nas vias públicas, bem como ser próximo a restaurantes e lanchonetes e possuir documentação regularizada junto aos órgãos públicos", escreveu ele.

A mudança de sede Desenbahia deve-se ao alto custo de manutenção do prédio atual e à determinação do Banco Central, que rege a instituição financeira, de proibir que imóvel de próprio uso tenha outra finalidade a não ser a que se destina. Em outras palavras, a Desenbahia não poderia continuar alocando, em parte de sua sede, outras secretarias, como sempre fez. Com isso, o imóvel ficaria com boa parte de suas instalações sem uso. A Odebrecht Realizações foi contatada pela reportagem para comentar o assunto, mas ainda não deu retorno.

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