Baque econômico
Tenho a impressão de que se acredita na presidente Dilma, mas que ela, por algum motivo ou "forças ocultas", não consegue destravar os processos e a máquina federal
Nestes próximos dias o governo federal enfrentará alguns embates violentos sobre os dados da economia de 2012, principalmente sobre aqueles que deverão pesar sobre os ombros do ministro da fazenda Guido Mantega e do Banco Central, Alexandre Tombini.
As pressões estão chegando de vários lugares, inclusive com publicações de revistas internacionais criticando a postura do ministro Mantega e suas atitudes frente ao cenário econômico nacional. Pelo lado do Banco Central, Tombini já admitiu que a retomada do crescimento vem sendo em uma velocidade abaixo do projetado, e que tais resultados ainda não desanimaram a equipe econômica do governo, mas apenas protelaram algumas tomadas de posição, mas que os agentes manterão em curso as medidas já definidas pela estratégica macroeconômica de combate a crise.
O final de cada ano é sempre muito ativo dentro do giro econômico, porém, as perspectivas para as vendas de final de ano ainda não estão atingindo as expectativas externalizadas pelos empresários. Significa por assim dizer que as vendas no comércio em geral estão abaixo do esperado.
Um ponto a se analisar dentro deste oceano econômico de soluções, problemas e hiatos é o crescimento dos níveis de aprovação política da presidenta frente à nação. Seu nível de popularidade continua firme e acima dos patamares históricos de outros governos, o que traz consigo a necessidade de enfrentar problemas espinhosos de forma definitiva.
O que busco defender é que precisamos aproveitar o cenário favorável de apoio popular para que o governo federal embrenhe na seara das reformas microeconômicas e nas reformas tributárias, prevalecendo o benefício à economia nacional em detrimento do benefício de alguns grupos políticos. Que pese neste momento que a prática não é tão fácil como a teoria anteriormente descrita, e que a sustentação e apoio popular em nosso histórico as vezes não consegue convalescer o apoio político. Mas precisamos tentar.
Acredito que, mesmo com os pífios resultados aferidos pelo governo em seu todo, passando desde a baixa execução orçamentária e chegando até mesmo a morbidade do PAC, com obras travadas e ausência de soluções viáveis, a Presidenta Dilma Rousseff vem conseguindo descolar sua imagem pessoal da imagem de seu governo e da estrutura partidária que por traz dela gere a máquina pública. Tenho a impressão de que se acredita na Presidenta, mas que ela, por algum motivo ou "forças ocultas", não consegue destravar os processos e a máquina federal.
Até que ponto este distanciamento poderá se manter é difícil perceber, mas mesmo que os números do PIB ainda não alentem grandes saltos de crescimento, a taxa de desemprego e o valor do salário mínimo vêm agradando às massas, que, em caso de reversão de tais tendências, deverão sim culpar o governo e a pessoa da presidenta Dilma pela perda de status aferidos nos anos anteriores.
Os gargalos de crescimento e redução de custos se mantêm praticamente inalterados, passando o tempo e perdendo-se dinheiro, quase nada foi feito. A alteração das regras dos Portos parece trazer esperança que se crie um novo clico de modernização e expansão para o setor, porém, ainda reside o medo de que o governo interceda e mude algumas regras anunciadas.
Por ora, o movimento que se vê está mais ligado a observação do que a execução, e o sentimento de que novas trovoadas estão a caminho se intensificam pelo lado econômico.
Pelas instituições, não esperam-se mudanças agudas na forma de se conduzir os ministérios e as secretarias especiais do governo federal no próximo ano, mas apenas uma correção de curso ao que se refere as agências reguladoras, que precisam eminentemente saírem do radar político e se apoiarem nas decisões técnicas.
Enfim, o cenário que estamos para fechar o ano não é muito positivo para a área econômica do governo, mas espera-se que sejam alterados os ciclos negativistas de inferências, garantindo assim uma retomada vigorosa da economia brasileira.