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BB busca recursos internacionais de R$ 23 bi para financiar projetos "verdes"

"Vemos o governo fazendo as reformas e caminhando com assuntos estruturais. Vemos o investidor estrangeiro com outro olhar para o Brasil", disse Francisco Lassalvia

Banco do Brasil (Foto: Divulgação)

247 - O Banco do Brasil está voltando sua atenção para os investimentos verdes como forma de impulsionar o crescimento sustentável do agronegócio no país. A instituição planeja obter até R$ 23 bilhões em financiamento de organizações financeiras internacionais até o meio de 2024. Os recursos serão direcionados para projetos que abrangem desde energia renovável até a recuperação de áreas degradadas. O banco reconhece que os recursos do Plano Safra e do próprio balanço são limitados, tornando crucial a busca por financiamento externo para atender à crescente demanda do setor agrícola.

“O balanço dos bancos é finito, o Plano Safra do governo é finito e não cresce como a economia brasileira. Vemos cada vez mais latente a busca de investimentos externos para serem aportados no Brasil”, disse Francisco Lassalvia, vice-presidente de Atacado do Banco do Brasil, ao Estadão/Broadcast, do jornal O Estado de S. Paulo.

“Conversamos com muitas instituições multilaterais e bancos de desenvolvimento. Estive no Japão e na Arábia Saudita para levantarmos recursos para a recuperação de áreas degradadas. Temos uma série de ações para captar dinheiro talvez abaixo do custo de oportunidade que temos aqui no Brasil, a Selic, para investirmos em projetos verdes que sequestram carbono. Temos aproximadamente R$ 23 bilhões em negociação com esses multilaterais, alguns já desembolsados, outros para sair nos próximos dois meses”, destacou o executivo na entrevista.

"No mundo, em mercados emergentes, vemos pouquíssimas oportunidades de alocação. E vemos o governo fazendo as reformas e caminhando com assuntos estruturais. Vemos o investidor estrangeiro com outro olhar para o Brasil e acreditamos que esses recursos vão vir, alguns deles abaixo do nosso custo de oportunidade. Mas mirando na Selic a 11% (11,75%) no final do ano, acho que ainda vamos ter muita atração de recursos para o Brasil, em especial para negócios verdes. E o banco sai como beneficiário, porque um terço da nossa carteira, R$ 321 bilhões, é verde", afirmou.

Ainda segundo ele, “no ano passado, fechamos parcerias com a AFD (Agência Francesa de Desenvolvimento) e com o KfW (banco de desenvolvimento da Alemanha). Esse dinheiro já foi desembolsado. Além dessas casas, pegamos com o Banco Mundial. É uma operação que tem de passar pelo Senado, mas depois que passa pela primeira vez, é mais simples. A tranche inicial era de US$ 500 milhões, mas agora vamos fazer mais uma tranche de US$ 1 bilhão. Estão batendo na nossa porta e existe uma demanda inversa. Quando olhamos o pipeline de R$ 23 bilhões, é muito pouco na carteira de ativos do banco, mas é um movimento crescente. Quem largou na frente, vai sair na frente”.