BB saca vice Ricardo Oliveira em nome da paz

Reunião extraordinária do conselho do Banco do Brasil, ontem à noite, determina saída do vice-presidente da área de Governo, Ricardo Oliveira; manobra busca colocá-lo em subsidiária, mas vazamento de dados sigilosos de ex-vice Allan Toledo pode torná-lo personagem de inquérito policial; valerá a pena salvá-lo?; ex-senador Cesar Borges pronto para assumir

BB saca vice Ricardo Oliveira em nome da paz
BB saca vice Ricardo Oliveira em nome da paz (Foto: Divulgação)

247 – O vice-presidente da área de Governo do Banco do Brasil, Ricardo Oliveira, teve seu nome e seu cargo colocados no centro de uma reunião extraordinária do conselho do Banco do Brasil, na noite da quarta-feira 10, em Brasília, e dela saiu como sacado de suas funções. Decidiu-se que ele, visto como principal motivador de uma renhida luta interna na instituição, que resultou na demissão, em janeiro, do vice-presidente da área internacional Allan Toledo, deveria sair em nome do reestabelecimento da paz. Toledo teve seu sigilo bancário quebrado e divulgado pela mídia.

Oliveira igualmente estaria identificado com o acirramento de ânimos entre o BB e um de seus principais acionistas, o fundo de pensão Previ, dos funcionários da instituição, que culminou numa profunda animosidade entre os presidente do banco, Aldemir Bendine, e da própria Previ, Ricardo Flores. Este, pela chamada lei das compensações políticas, também estaria com seu cargo encomendado.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil não confirmava e, igualmente, não desmentia, até 15h30, o afastamento de Oliveira. O mercado, porém, àquela altura, já dava como certa a demissão. Durante a manhã e à tarde tentou-se internamente, e com o apoio de consultas a esferas decisivas de governo, encontrar uma saída honrosa para o vice-presidente. Foi cogitada a ida dele para alguma empresa subsidiária do banco, mas houve, em contrapartida, manifestação do receio de que, também noutra função, Oliveira poderia continuar sendo um problema para o BB e para o governo Dilma. O Gordo, como é chamado dentro da instituição, ainda pode ser alvo de um inquérito criminal em torno da quebra de sigilo do ex-vice Toledo, que ainda examina com seus advogados como deverá agir frente ao caso. Colocado sob suspeita de ter recebido ilegalmente R$ 1 milhão em sua conta corrente, Toledo provou que o dinheiro tinha como fonte uma tia adoentada que vendera uma casa em São Paulo. Ele foi absolvido pelo conselho de ética da Presidência da República.

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