BC quer Esteves fora do controle do BTG Pactual

Reportagem do serviço Broadcast, de informações em tempo real, indica que o Banco Central, comandado por Alenxadre Tombini, "já teria, segundo fontes, imposto a necessidade da saída de Esteves" do bloco de controle do BTG Pactual; banco estuda emitir títulos com garantia mais sólida para tentar conter onda de saques

BC quer Esteves fora do controle do BTG Pactual
BC quer Esteves fora do controle do BTG Pactual

247 – Além dos sócios minoritários do BTG Pactual, que estudam comprar a participação de André Esteves na companhia, o Banco Central, comandado por Alexandre Tombini, já sinalizou que deseja uma mudança de controle. O objetivo é conter o contágio da crise decorrente da Lava Jato e evitar uma onda de saques na próxima semana. 
 
Leia, abaixo, informações do serviço Broadcast:

FONTES: BTG PACTUAL AVALIA EMITIR DPGE PARA HONRAR CURTO PRAZO

São Paulo, 28/11/2015 - O BTG Pactual estuda emitir Depósitos a Prazo com Garantia Especial 1 (DPGE-I) para fazer frente às obrigações de curto prazo em meio às dificuldades que enfrenta após a prisão de André Esteves, CEO do banco, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast. O banco nunca recorreu ao instrumento, cujo limite para a instituição seria de cerca de R$ 1,8 bilhão, e já teria procurado até a Cetip para obter mais informações a respeito.

Criados em 2009 para socorrer as instituições menores devido à crise de liquidez que se instalou no mercado na época, os DPGEs são títulos de renda fixa que se assemelham aos certificados de depósitos bancários (CDBs). Contam com o aval do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de até R$ 20 milhões por CNPJ.

Para uma fonte de mercado, emitir DPGE neste momento ajudaria muito pouco o BTG e poderia sinalizar fraqueza por parte do banco. Outra fonte pondera, porém, que seria mais um instrumento em seu leque de captações e que poderia ajudar a instituição que enfrenta um momento desafiador após a prisão de Esteves no âmbito da Operação Lava Jato. Investidores estão preocupados com o futuro do banco e alguns, inclusive, preferiram, na dúvida, sacar seus recursos.

Nesta semana, Pérsio Arida, designado como CEO interino do BTG por conta da saída do Esteves, teve uma incansável maratona na tentativa de tranquilizar os investidores e o mercado financeiro. Além de contatar os principais clientes, teve conversas reservadas com importantes nomes do mercado para discutir a situação do BTG, conforme fontes.

Amanhã, termina o prazo da prisão temporária de Esteves, que foi preso na última quarta-feira assim como o senador Delcídio Amaral (PT-MS). O BTG, conforme fonte, trabalha com a possibilidade de prorrogação da prisão temporária do banqueiro. Isso, inclusive, já teria acelerado os trâmites para que os sócios do banco comprem a fatia detida por Esteves na instituição como uma tentativa de blindar o BTG das acusações que recaem sobre Esteves, que possui 28,8% do banco, afirmaram fontes ao Broadcast. A intenção, conforme as mesmas fontes, é evitar mais saques ao longo desta semana.

Arida, segundo algumas fontes de mercado, já deu o recado a clientes quando em uma carta enviada na última sexta-feira afirmou que o banco está avaliando, juntamente com os membros independentes do Conselho de Administração, os fatos envolvendo as acusações que foram feitas contra Esteves, com o objetivo de que essas questões "sejam esclarecidas o mais rapidamente possível".

"Mais de 80% das ações do BTG Pactual são detidas pela sociedade (partnership). Este grupo tem mais de duas centenas de pessoas unidas em torno dessa sociedade, que reflete uma cultura profundamente enraizada e um conjunto de valores forjados ao BTG Pactual em sua história de 32 anos", destaca o presidente interino do BTG, ainda na carta a clientes. Nesse modelo de partnership, os executivos são também sócios do banco.

No entanto, não são apenas os sócios do BTG que se movimentam para proteger o banco que fechou setembro com pouco mais de R$ 40 bilhões em caixa. O BC, que já teria, segundo fontes, imposto a necessidade da saída de Esteves, e outros players do sistema bancário iniciaram conversas nesse sentido.

Embora o futuro do BTG Pactual ainda seja incerto, executivos do mercado financeiro acreditam que a instituição será outra após a crise atual. Apesar de menor, conforme as mesmas fontes, deve conseguir se manter no mercado, mas com um perfil diferente do observado hoje. "Será um banco menor, mas ele vai se manter", diz uma fonte do alto escalão de um grande banco.

Procurado, o BTG Pactual não comentou o assunto. A Cetip também preferiu não se manifestar a respeito. (Aline Bronzati -[email protected] e Fernanda Guimarães - [email protected])

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