Belluzzo: Brasil precisa se reindustrializar com mais independência e autonomia

Ao falar sobre a crise financeira global causada pela pandemia do novo coronavírus, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo afirmou que o Brasil precisa diminuir a taxa de juros da dívida pública, manter as reservas internacionais e controlar o movimento de capitais com o objetivo de se reindustrializar. Assista

Luiz Belluzzo
Luiz Belluzzo (Foto: REUTERS/Nacho Doce | TV Brasil - EBC)
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247 - O economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo falou à TV 247 sobre a crise financeira global decorrente da pandemia do novo coronavírus e avaliou que ela será maior do que a crise de 1929. Ele apontou a reindustrialização como caminho para reerguer o Brasil.

Para Belluzzo, a crise da Covid-19 será mais rápida e mais drástica do que a de 1929 e, em sua avaliação, será possível enxergar os pontos negativos da globalização, tal como a dependência brasileira em relação ao abastecimento e à industrialização. “Aqui ela não só vai ser muito profunda mas está sendo muito mais rápida do que a crise de 29, e com efeitos imediatos do ponto de vista da articulação das cadeias produtivas, com uma dimensão importante: o que a gente está observando são os efeitos da globalização com a concentração da capacidade manufatureira na China. Revelou também os efeitos negativos da globalização, tanto para os Estados Unidos e muito mais para o Brasil. Nesse processo todo, de 80 para cá, que o Brasil foi perdendo capacidade industrial, nós ficamos, na verdade, muito dependentes do abastecimento. Quando rompem as cadeias nós ficamos a ver navios. A saída é uma reconstituição, não é só a saída keynesiana, que é importante também, ou seja, de você aumentar o gasto público”.

Belluzzo defendeu o controle do movimento de capitais como forma de diminuir a fuga de recursos e garantir a confiança na moeda nacional. Além deste fator, apontou a diminuição da taxa de juros da dívida pública, a manutenção das reservas internacionais e a reindustrialização como saída para o País. 

“Aqui no Brasil o que nós fizemos nos anos 90 foi deixar o movimento de capitais livre, graças a Deus conseguimos acumular US$ 380 bilhões em reservas, que agora o Paulo Guedes está dizendo que vai vender, quer dizer, em matéria de maluquice essa é uma das maiores. Ele quer vender as reservas porque não quer ter o custo de carregar a dívida pública a essa taxa de juros. Baixa a taxa de juros, mantém as reservas e faça controle de capitais, é o que a gente tem que fazer. Aí sim ter um programa, que o Brasil tem capacidade, tem recursos naturais, tem recursos físicos, técnicos, tecnológicos acumulados para reiniciar um processo de industrialização com mais independência e autonomia”.

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