Bolsonaro isola Moro e decide transferir Coaf para o Banco Central

Jair Bolsonaro confirmou que pretende transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), vinculado ao Ministério da Economia, para o Banco Central. A decisão reflete uma derrota e o isolamento do ministro Sérgio Moro (Justiça). Atingido em cheio pela Vaza Jato, o ex-juíz pretendia ter o órgão em suas mãos. "O que nós pretendemos é tirar o Coaf do jogo político", disse o presidente ao lado de Moro no Palácio do Alvorada

247 - O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta sexta-feira (9) que pretende transferir o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), atualmente vinculado ao Ministério da Economia, para o Banco Central. A decisão reflete o isolamento do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, atingido em cheio pelas Vaza Jato, que vem revelando irregularidades cometidas por ele quando era juiz da Operação Lava Jato.

"O que nós pretendemos é tirar o Coaf do jogo político", afirmou Bolsonaro ao lado de Moro no Palácio do Alvorada. "Vincular ao Banco Central, aí acaba (jogo político)", acrescentou. 

De acordo com o presidente, "tudo o que tem política, mesmo sendo bem intencionado, sempre sofre pressões. A gente quer evitar isso aí". "O Coaf, porventura caso vá para o Banco Central, vai fazer o seu trabalho sem qualquer suspeição de favorecimento político", ressaltou.

O isolamento de Moro é consequência das irregulariades reveladas pelo site Intercept Brasil, que tem como um dse seus fundadores do jornalista norte-americano Glenn Greenwald. Segundo as reportagens que estão sendo publicadas, Moro interferiu no trabalho de procuradores quando julgava os processos da Lava Jato na primeira instância. 

O ex-juíz negociou acordos de delação premiada, questionou a capacidade de uma procuradora de interrogar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sugeriu inversão da ordem das fases da operação, além de outras ilegalidades.

Moro também sugeriu acréscimo de informações na elaboração de uma denúncia contra Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo. E

Segundo reportagem do Intercept em parceira com a Veja, em uma conversa de 28 de abril de 2016, o procurador Deltan Dalla­gnol  avisa à procuradora Laura Tessler que Moro o havia alertado sobre a falta de uma informação na denúncia. "Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele", diz. "Ih, vou ver", responde a procuradora. 

No dia seguinte, o MPF incluiu um comprovante de depósito de 80 000 dólares feito por Skornicki a Musa. Moro aceita a denúncia minutos depois.

Coaf e o clã Bolsonaro

Além de ser alvo da Vaza Jato, Moro também passou a ser criticado com acusações de querer blindar a família Bolsonaro de investigações diante das movimentações milionárias e atípicas envolvendo o senador Flávio Bolsonanro (PSL-RJ).

Segundo o Coaf, Fabrício Queiroz, ex-assessor do parlamentar, movimentou R$ 1,2 milhão de janeiro de 2016 ao mesmo mês de 2017. A quantia foi considerada incompatível com o patrimônio do filho do presidente da República.

O órgão também identificou depósitos de R$ 2.000 feito entre junho e julho de 2017. Foram no total 48 depósitos, somando R$ 96 mil.

Em seu discurso, Bolsonaro afirmou que a permanência do presidente do Coaf, Roberto Leonel, não está garantida se a mudança para o BC se confirmar. E indicou que o órgão pode mudar de nome.

"Se vai ser o Banco Central, quem vai decidir é o Roberto Campos [presidente do BC]. Agora, o que parece que ele pretende é ter um quadro efetivo do Coaf, que mudaria de nome inclusive", afirmou o presidente.

Vale ressaltar que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vem sendo presisonado pelo Planalto a demitir o presidente do Coaf, Roberto Leonel, aliado de Moro.

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