Brasil atrai R$ 4,5 bilhões em fundos e contraria onda negativa de emergentes
Mesmo com saídas globais de capital, o Brasil registra fluxo positivo em ações e reforça interesse estrangeiro na Bolsa
247 - O Brasil voltou a se destacar entre os mercados emergentes ao registrar forte entrada de recursos em fundos de ações, contrariando o movimento global de retirada de capital. Segundo levantamento do JPMorgan, divulgado nesta segunda-feira (6/4) pelo InfoMoney, os fundos locais de equities receberam US$ 883 milhões — cerca de R$ 4,5 bilhões — em aportes recentes, mesmo em um cenário internacional desfavorável.
Enquanto isso, os fundos de ações de mercados emergentes enfrentaram uma nova semana de perdas, com saídas de US$ 3,9 bilhões, ampliando o saldo negativo da semana anterior, que já havia registrado retiradas de US$ 654 milhões. O desempenho brasileiro, portanto, destoa da tendência predominante e reforça a percepção de que investidores estrangeiros ainda veem oportunidades no país.
De acordo com o levantamento, embora não haja detalhamento por país entre investimentos realizados via ETFs e fundos tradicionais, a maior parte dos aportes parece estar concentrada em fundos de índice. Esse movimento indica uma estratégia de exposição mais ampla ao mercado brasileiro, especialmente diante do recente rali da Bolsa.
O fluxo estrangeiro também tem se refletido diretamente na B3. Apenas no último mês, os investidores internacionais aportaram R$ 11,7 bilhões. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as entradas somam R$ 53 bilhões, considerando todas as modalidades de investimento.
Na América Latina como um todo, o cenário também apresentou melhora. Após registrar saídas de US$ 111 milhões na semana anterior, os fundos da região voltaram ao campo positivo, com entradas de US$ 199 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1 bilhão. O Brasil já vinha se destacando desde a semana anterior, quando acumulou ingressos de US$ 475 milhões.
Entre os setores brasileiros, o de energia apresentou desempenho superior, ficando atrás apenas do segmento de serviços de comunicação no México. Ao final de março, o setor financeiro também ganhou destaque, superando o mercado pelo quinto pregão consecutivo. Outros segmentos com bom desempenho incluíram bens de capital, siderurgia e mineração, além de educação. Por outro lado, consumo e varejo, agronegócio e petróleo e gás figuraram entre os piores resultados no período.
No cenário global, a pressão sobre os mercados emergentes foi liderada pela Ásia (excluindo o Japão), que registrou saídas expressivas de US$ 5 bilhões, após leve entrada na semana anterior. Já a região EMEA — que engloba Europa, Oriente Médio e África — acumulou a quinta semana consecutiva de retiradas, com US$ 124 milhões em saídas.
Países do Oriente Médio também foram impactados. Os Emirados Árabes Unidos registraram vendas líquidas de US$ 166 milhões, enquanto o Catar teve saída de US$ 32 milhões. O movimento ocorre em meio à persistente incerteza geopolítica envolvendo o Irã, o que tem afetado o apetite por risco na região.
Apesar da volatilidade recente, o saldo de 2026 ainda é positivo para os mercados emergentes. Até o momento, a captação de fundos de ações desses países soma US$ 73,6 bilhões, abaixo do pico de US$ 86,1 bilhões registrado no início de março, mas ainda em patamar relevante no acumulado do ano.