Brasil e EUA discutem tarifas após encontro Lula-Trump
Conversas ocorrem 12 dias após encontro entre Lula e Donald Trump na Casa Branca
247 - Brasil e EUA discutem tarifas após encontro Lula-Trump em uma nova rodada de conversas comerciais realizada 12 dias depois da reunião entre o presidente Lula e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, na Casa Branca.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se nesta terça-feira (19), com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, em Paris, às margens de um evento do G7. Segundo o governo brasileiro, a conversa tratou das tarifas contra o Brasil, da cooperação no combate ao crime organizado, dos impactos da guerra no Oriente Médio e de minerais críticos, informa o UOL.
Durigan afirmou ter confiança de que um acordo possa ser costurado no prazo de 30 dias. A reunião marcou o início efetivo de uma nova etapa de negociações entre os dois países, que demorou quase duas semanas para ganhar tração após o encontro entre Lula e Trump em Washington.
De acordo com o relato, a demora ocorreu principalmente porque a equipe do presidente dos Estados Unidos acompanhou Trump em uma viagem à China, onde ele se reuniu na semana passada com o líder chinês Xi Jinping.
Lula defendeu grupo de trabalho para buscar acordo
A abertura de uma nova frente de negociação havia sido anunciada por Lula em entrevista coletiva após sua reunião com Trump na Casa Branca. O presidente afirmou que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para buscar uma solução comercial dentro de 30 dias.
“Ele [Trump] sempre acha que nós cobramos muito imposto. [Eu disse] ‘Não, porque a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%. Apenas 2,7%’. Mas eles continuam a teimar: ‘mas tem produto que é 12%’. Então, eu falei assim: ‘vamos fazer o seguinte, vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu moço do Comércio, em 30 dias, apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo. Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder’”, afirmou Lula.
A fala indica que o governo brasileiro tenta reduzir tensões comerciais com Washington por meio de uma negociação técnica, envolvendo representantes da área de comércio dos dois países.
Posição dos EUA
Ainda nesta terça-feira, depois de participar da Conferência das Américas, o sub-representante comercial da Casa Branca para o hemisfério ocidental, Jeffrey Goettman, foi questionado pelo UOL sobre a possibilidade de as conversas resultarem em um entendimento capaz de evitar novas tarifas contra o Brasil.
Goettman afirmou que Brasil e EUA “sustentam um diálogo aberto”, mas evitou dizer se há expectativa de um acordo comercial mais amplo entre os países. Ele acrescentou que o órgão espera ter uma resposta sobre o tema em poucas semanas.
A sinalização mantém aberta a possibilidade de entendimento, mas sem compromisso público por parte do governo norte-americano sobre o rumo das negociações.
Empresários pressionam contra novo tarifaço
Empresários brasileiros e norte-americanos têm pressionado o governo dos Estados Unidos para evitar uma nova rodada de tarifas contra o Brasil.
A expectativa é que, em julho, Trump anuncie uma reedição de seu chamado “dia da libertação”, quando impôs tarifas recíprocas a mais de uma centena de países. No começo do ano, a medida foi derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que entendeu que Trump extrapolou seus poderes ao justificar juridicamente a guerra tarifária.
As negociações agora avançam sob pressão política e empresarial, com Brasília tentando construir uma solução antes que Washington defina novos passos na política comercial para o Brasil.



