Brasil perde espaço na América do Sul

A profunda recessão econômica no Brasil, juntamente com mudanças no cenário político na região e investigações da Operação Lava-Jato derrubaram s investimentos de empresas brasileiras na América do Sul, que foi destino-chave do capital brasileiro no exterior por mais de uma década; ecos desses fatores não só estancaram os investimentos como vêm obrigando as empresas - em especial Petrobras e grandes construtoras - a se desfazer de ativos, diminuindo o peso econômico do Brasil na América do Sul

Bandeiras do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, durante a primeira reuni„o do Mercosul.
Bandeiras do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, durante a primeira reuni„o do Mercosul. (Foto: Giuliana Miranda)

247 - A combinação de crise econômica no Brasil, mudanças no cenário político na região e investigações da Operação Lava-Jato resultou em uma drástica queda no fluxo de investimentos de empresas brasileiras na América do Sul, que foi destino-chave do capital brasileiro no exterior por mais de uma década. Os ecos desses fatores não só estancaram os investimentos como vêm obrigando as empresas - em especial Petrobras e grandes construtoras - a se desfazer de ativos, diminuindo o peso econômico do Brasil na América do Sul.

As informações são de reportagem no Valor.

"'Hoje as empresas estão tirando foco da internacionalização e se voltando para o Brasil de novo', diz o economista Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet). 'São movimentos de desalavancagem. As empresas fizeram grandes apostas no exterior e agora voltam atrás, seja por alto endividamento, baixa rentabilidade de negócios ou baixa demanda.'

Sergio Lazzarini, professor do Insper, avalia que antes havia um cenário em que o governo brasileiro selava laços com governos ideologicamente alinhados, mas isso mudou com o enfraquecimento da esquerda na região. "Existia interesse de tornar o Brasil um protagonista nas relações sul-sul, ou seja, entre emergentes. E as empresas eram as executoras desse projeto geopolítico", disse, lembrando a ênfase em contratos de exportação de construção civil, que contaram com financiamentos do BNDES.

'As grandes estatais com operações globais foram protagonistas desse processo de internacionalização, dado o controle do governo brasileiro sobre elas", diz Lazzarini, coautor de "Reinventando o Capitalismo de Estado - O Leviatã nos Negócios: Brasil e Outros Países'.

Em 2008, o fluxo total de investimento estrangeiro direto (IED) do Brasil para a América do Sul (com exceção do Suriname e da Guiana) foi de US$ 2 bilhões. Esse total subiu para US$ 2,7 bilhões em 2012, para três anos depois cair para 37%, ou seja, US$ 1 bilhão. No ano passado o total (sem contar o investido no Paraguai) foi de US$ 949 milhões, segundo dados do Banco Central do Brasil.

O fluxo de IED brasileiro na Argentina, chegou a US$ 1,15 bilhão em 2011 e caiu para US$ 152 milhões em 2016. A queda explica-se em parte pela saída da Petrobras, que vendeu ativos no país e entregou a participação em Vaca Muerta, campo de gás de xisto e petróleo não convencional na Patagônia."

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