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Brasil prepara primeira emissão de títulos Panda em yuan durante missão oficial à China

Operação inédita deve ser anunciada em junho e integra estratégia do governo para ampliar a presença do país nos mercados internacionais de dívida

Nota iuan (Foto: THOMAS WHITE / REUTERS)
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247 - O Brasil deve anunciar, ainda neste mês, sua primeira emissão de títulos soberanos denominados em yuan, a moeda chinesa, durante uma missão oficial que levará autoridades brasileiras a Xangai e Pequim. A informação foi revelada pela agência Reuters, com base em relatos de duas pessoas com conhecimento direto das negociações.

A iniciativa marca mais um passo da estratégia do governo brasileiro de diversificar suas fontes de financiamento internacional e ampliar sua atuação em mercados de dívida fora do eixo tradicional do dólar. Os chamados "títulos Panda" são papéis emitidos por governos ou instituições estrangeiras no mercado financeiro chinês e denominados na moeda local.

A agenda oficial será liderada pelo ministro da Fazenda em exercício, Darío Durigan, e está prevista para ocorrer entre os dias 24 e 26 de junho. Procurado pela Reuters, o Ministério da Fazenda não comentou o assunto.

O plano surge pouco mais de um mês após o Brasil realizar sua primeira emissão de títulos em euros desde 2014. A operação, concluída em abril, captou 5 bilhões de euros e reforçou a estratégia anunciada pelo governo no início do ano de expandir a presença brasileira nos mercados internacionais por meio de emissões em diferentes moedas.

A visita à China ocorre em um momento de fortalecimento das relações econômicas entre os dois países. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do aprofundamento dos laços comerciais com o gigante asiático, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil.

O movimento também acontece em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump, atual presidente norte-americano, propôs novas tarifas sobre produtos brasileiros e classificou organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas, ampliando os atritos diplomáticos entre os dois países.

Antes da viagem da delegação liderada por Durigan, representantes brasileiros participarão na próxima semana de uma reunião da subcomissão financeira bilateral na China. O encontro reunirá órgãos governamentais dos dois países para discutir oportunidades de cooperação econômica e financeira.

Segundo a Reuters, o governo brasileiro pretende aproveitar essa etapa preparatória para apresentar instrumentos financeiros vinculados à agenda de sustentabilidade da administração Lula. Entre eles estão os leilões de financiamento misto do programa EcoInvest, a proposta do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) e os avanços na estruturação de um mercado nacional de carbono.

A avaliação de autoridades brasileiras é que esses mecanismos podem desempenhar papel importante na atração de investimentos diretos chineses para setores considerados estratégicos da economia nacional, fortalecendo a cooperação entre os dois países e ampliando as oportunidades de financiamento para projetos ligados à transição sustentável.