Brasil reduz de 55% para 5% a capacidade de produção de insumos farmacêuticos em quatro décadas

As estatísticas foram divulgadas em um contexto no qual ficou mais evidente a necessidade de importação de materiais para a produção de vacinas

Pandemia deixa mais evidente a fragilidade da indústria farmacêutica brasileira
Pandemia deixa mais evidente a fragilidade da indústria farmacêutica brasileira (Foto: REUTERS/Charles Platiau)
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247 - A Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) informou que, atualmente, o Brasil produz apenas 5% desse tipo de insumo. Nos anos 1980, a produção chegava a 50%. As estatísticas foram divulgadas em um contexto no qual ficou mais evidente a necessidade de importação de materiais para a produção de vacinas. Atualmente, a China e a Índia são responsáveis por 74% da importação ingrediente farmacêutico ativo (IFA), necessário para a fabricação da CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, e da Oxford/AstraZeneca, fabricada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O restante é importado, principalmente, de Alemanha, Itália, Estados Unidos e Suíça, informou a associação.

Nos anos 1990, a abertura comercial prejudicou a indústria nacional, com a redução de tarifas, o que barateou os importados na comparação com o produto brasileiro. De acordo com o professor de economia da USP (Universidade de São Paulo) Paulo Feldmann, a indústria brasileira tentou acompanhar o preço da produção estrangeira, porém muitas empresas não conseguiram e quebraram, e os preços voltaram a subir.

"Esse movimento de abertura comercial ocorreu em toda a América do Sul, mas não ocorreu na Ásia. Em um primeiro momento, o fabricante brasileiro teve que baixar o preço para competir, mas isso não se sustentou. Como consequência, houve aumento da nossa dependência do setor externo", afirmou. As entrevistas desta matéria foram publicadas pelo jornal Folha de S.Paulo.

O presidente da Abiquifi, Norberto Prestes, destacou que o "Brasil não produz mais nenhum antibiótico". "O que estamos vivendo na ciência, com essa dificuldade de insumos, não é uma questão pontual. O Brasil nunca trabalhou na vanguarda, sempre menosprezou a própria capacidade tecnológica", critica Prestes.

Segundo o economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), Rafael Cagnin, a dependência de insumos importados na indústria farmacêutica não é uma questão restrita ao Brasil.

"Há dependência de insumos da China e da Índia também em outros países, mas a pandemia trouxe um alerta às cadeias globais de que é possível haver rupturas de fornecimentos em quadros excepcionais não somente na pandemia, mas em outros eventos que podem se tornar mais frequentes, como desastres ambientais", disse.

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