Brasil salva espanhóis da Telefonica e do Santander

Companhia de telefonia anunciou hoje resultados mundiais; tal qual o banco fez ontem, mostrou fraqueza em sua sede na Espanha e fora deste lado do Atlntico; empresa presidida por Antnio Carlos Valente ( esq.) lidera reclamaes no Procon, ranking que o Santander de Marcial Portela freqenta

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Marco Damiani e Roberta Namour_247 Paris - A história se repete. Hoje, em anúncio oficial feito em Madri, a Telefonica Brasil apresentou um lucro de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre de 2011, o que representa um crescimento de 46% sobre o resultado alcançado em igual período do ano passado. Já no desempenho global, no qual se juntam os resultados da Telefonica na Espanha e nos outros 24 países em que presta serviços de telefonia e internet, não houve muito a comemorar. O lucro líquido do primeiro semestre caiu 16,3 %, para 3,16 bilhões de euros (US$ 4,5 bilhões).

Apenas na Espanha, sede da multinacional, o faturamento recuou 6,1%. Por este tipo de resultado, que vem apresentando, nos últimos meses, a mesma disparidade entre o que a companhia obteve no Brasil e fora dele, a Telefonica já anunciou um corte de 20 % de sua força de trabalho, por causa do declínio de receitas e uma custosa operação com telefonia fixa. Para alívio da companhia, o quadro só não é pior porque o Brasil está como o segundo país em receitas, entre os 25 em que a Telefonica está presente, avançando para o primeiro posto. O próprio presidente mundial da companhia, o espanhol, por supuesto, Cesar Alierta admite que, em breve, o Brasil será o maior responsável pelas principais receitas e lucros da organização. Hoje, é aqui que a Telefonica tem mais clientes – 80 milhões, contra cerca de 50 milhões na própria Espanha.

Para o Brasil, a previsão é bem otimista. Alierta previu que o mais performático País da América Latina será em breve principal motor de crescimento de receitas do grupo. Na quarta-feira, a Telefonica afirmou que a fusão das operações fixas e móveis no Brasil vai produzir economias adicionais de mais de US$ 1 bilhão de dólares, acima do esperado.

Ontem, foi a vez do banco Santander. O grupo espanhol confirmou no primeiro semestre um lucro de US$ 2,45 bilhões na América Latina, representando 44% do lucro total do grupo – 15,8% mais do que no ano passado. O crescimento foi sustentado pelo Brasil, que teve alta de 7,6%, para US$ 2 bilhões de euros (25 % do resultado do grupo). No resultado global, o Banco Santander obteve um lucro de US$ 3,50 bilhões, 21,2% menos que em 2010 após criar um fundo extraordinário no Reino Unido. Mesmo no Brasil, porém, o desempenho ficou abaixo do esperado pelo mercado, a ponto de as ações do banco terem sido fortemente penalizadas na Bolsa de Valor de São Paulo. Na quarta-feira, os papeis caíram 6,39%. Na quinta, até 16h55, o tombo era de 2,50%, no mesmo momento em que o Ibovespa subia 0,71%.

Enquanto a Europa puxa os resultados para baixo, a América Latina, liderada pelo Brasil, tem carregado as empresas espanholas nas costas. Mas e o consumidor brasileiro, como fica? A Telefonica é a maior campeã das listas de reclamações do Procon neste e nos últimos anos. O Santander freqüenta o mesmo ranking com regularidade. No caso do banco, por mais que os dirigentes europeus – leia-se, Emilio Botín - afirmem que as subsidiárias são independentes, seus lucros acabam tapando buracos de fora. O saldo positivo que deveria ser revertido em benefícios e melhorias no atendimento para os brasileiros, é usado para conter a hemorragia do grupo. Na Telefonica, pelo jeito, o sistema é o mesmo.

 

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