Caixa da OGX está no fim

No ritmo atual de investimentos em explorao, recursos da empresa devem acabar em cinco trimestres

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Lu Miranda_247 - Os números divulgados do primeiro trimestre do ano mostram ao mercado, mais uma vez, que a OGX não vai nada bem. A empresa de petróleo e gás do grupo EBX teve prejuízo de R$ 33,9 milhões e inverteu o resultado do mesmo período do ano passado, em que a companhia teve lucro de R$ 56,9 milhões. Além da perda, outro fato preocupa os acionistas. A empresa de Eike Batista conhecida por ganhar mais nas operações financeiras do que propriamente na exploração de petróleo também deixou a desejar na criatividade para obter renda. O resultado financeiro líquido foi de R$ 17,9 milhões, mas teve uma forte queda de 88% ante os R$ 149,9 milhões de janeiro a março de 2010.

A diferença está em duas operações mal sucedidas: prejuízo de R$ 25,1 milhões com derivativos e perdas de R$ 85,2 milhões com hedge cambial. Com esse fato, os analistas alertam para uma possível falta de caixa da OGX no projeto de bancar a campanha exploratória intensa, sem resultados operacionais satisfatórios até o momento. Um deles é Oswaldo Telles, analista-chefe da Corretora Banif, que ressalta o alto consumo de caixa de cerca de R$ 700 milhões a cada trimestre nos trabalhos de exploração, perfuração e estudos de solo. “Cada frente de exploração é um sorvedouro de caixa”, afirma Telles.

Os gastos com exploração foram 38% maiores nesse primeiro trimestre comparado com os três primeiros meses de 2010. Na época, a OGX gastou R$ 23,4 milhões e, de janeiro a março deste ano, a despesa subiu para R$ 32,3 milhões devido à intensificação da campanha exploratória na Bacia do Parnaíba. Nesta conta, houve gastos com aquisição de dados sísmicos, o aluguel pago à Agência Nacional de Petróleo Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente aos blocos exploratórios, a comissão de fiança do Programa Exploratório Mínimo, além de gastos com consultorias técnicas, de meio ambiente e de tecnologia da informação diretamente ligados às concessões. Telles acredita que o caixa para manter essa campanha exploratória está chegando ao fim. “O resultado de R$ 18 milhões neste trimestre pode zerar no próximo balanço e ficar negativo em seguida”, diz o analista.

Outro ponto negativo é a falta de confiança do mercado financeiro no potencial da empresa desde a divulgação, em meados de abril, do relatório da consultoria DeGolyer & MacNaughton (D&M), que elevou a estimativa de petróleo da OGX nas bacias de Campos, Parnaíba e na Colômbia, de 5,7 bilhões para 10,8 bilhões de barris de petróleo. O mercado avaliou como um levantamento “inflado” e respondeu com forte venda dos papéis. No pregão seguinte à divulgação do relatório, a ação OGXP3 caiu 17,5%. “Desde que anunciaram a certificação, o mercado passou a dar um desconto e o preço por barril despencou porque os números não foram bem aceitos. O mercado está descrente e cabe à empresa provar o contrário”, diz o Telles.

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O perigo para Eike Batista está bem próximo. A expectativa, agora, é da apresentação de um plano consistente de capitalização pela empresa, que poderia ser com a venda de bonds (títulos) e de parte dos ativos, empréstimo em banco ou a entrada de um sócio investidor. Após a divulgação do balanço, a OGX informou que considera a possibilidade de fazer um farm out, ou seja, a venda total ou parcial da concessão da exploração de petróleo para conseguir recursos. Esse plano, porém, seria para 2012. “No ritmo atual de consumo, o caixa da OGX daria para cinco trimestres e os bancos não costumam emprestar para empresa endividada. A entrada de um sócio, neste momento, representaria um aval para a companhia na questão estratégica e técnica. Daria, pelo menos, mais credibilidade”, afirma Telles.

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