“Carro importado deve ter imposto zero”

O governo dificulta a importao de veculos, mas Jean-Michel Jalinier, presidente da Renault, defende abertura total do mercado, posio indita para uma montadora instalada no Brasil

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Henrique Neves, de Florianópolis (SC) – Não é todo dia que se vê um alto executivo com fábrica instalada no País defender a diminuição do imposto de importação. Afinal de contas, a facilitação de entrada de produtos importados dificulta a vida daqueles produzidos no Brasil. Assim, pela lógica, quanto mais produtos entrarem aqui, menos o empresariado terá motivos para investir localmente. Mas o Presidente da Renault do Brasil Jean-Michel Jalinier fez mais. Defendeu que o imposto não só deveria ser diminuído, mas sim zerado. Em outras palavras, assim como já acontece com a Argentina e com o México, carros vindos da Europa, China, Coréia e Japão simplesmente não pagariam o imposto de importação que hoje é de 35%.

A declaração do principal executivo da montadora francesa no país foi feita em Florianópolis, durante a apresentação do novo Sandero. “ Eu acredito que se o governo fizer uma redução gradual a cada ano, nos próximos 7 anos até zerar o imposto, a indústria teria tempo para ficar mais competitiva” Disse Jean-Michel Jalinier. “Não esqueça que com a taxa zero nós também poderemos exportar para todo o mundo e o custo de logística é ainda o nosso grande trunfo onde jogamos a favor mesmo se as taxas ficarem menores” completou Jalinier.

Se para os automóveis com o um todo, ele defende um prazo de até sete anos, para o setor de auto peças o dirigente francês quer o fim da taxa de importação para já. “Como pode uma roda fabricada na Índia, que tem todos os custos de transporte e logística, custar 10% menos do que uma roda feita no Brasil ?” pergunta indignado o executivo francês.

Na avaliação do presidente da Renault, se a taxa for zero também para as autopeças, elas terão que baixar seus custos para serem competitivas, ou fecham as portas. Para o dirigente no entanto, isso não vai acontecer, por que se os empresários de outros países conseguem fabricar peças mais baratas, aqui também não será diferente. A taxação de importação na verdade, segundo o executivo serve apenas para tirar a competitividade do mercado. E olha que a Renault decidiu não trazer mais carros importados para o Brasil, mas não descarta a possibilidade que isso possa voltar a acontecer no futuro.

A Renault do Brasil ganhou o respeito da matriz depois que alcançou o terceiro lugar no ranking dos paises com maior numero de vendas e resultados financeiros em 2010. Poucos anos atrás a Renault sequer figurava entre os 20 principais mercados para a marca. Em 2011 a expectativa é vender 200 mil carros e ultrapassar a Alemanha, hoje a segunda no ranking mundial da empresa. Com 5% de participação de mercado a Renault tem grandes ambições no país. Esse ano espera crescer 20%, quase 4 vezes mais do que projeta a Anfavea. O objetivo é chegar a 8% de participação nos próximos anos. Para isso vai centrar esforços de vendas no novo Sandero lançado agora e o utilitário esportivo Duster que será apresentado no segundo semestre deste ano. Para atender a demanda a produção da fábrica passará a produzir 300 mil carros por ano. Para isso anunciou que está iniciando o terceiro turno na fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, com a contratação de mais mil trabalhadores diretos. 

O anúncio foi feito pouco depois da Renault fechar um acordo com o sindicato onde os pagamentos de participação nos lucros da empresa (PRL) ficou 30% acima do ano passado. A negociação foi rápida e a Renault foi a única montadora com planta em São José dos Pinhais que não parou por greve. Ao contrário da Volkswagen que pode se dar o luxo de até fechar a fábrica e transferir a produção para outra planta, a Renault não tem como fazer isso, já que só tem uma fabrica no Brasil. “O sindicato sabe que não temos muita margem de negociação. Se eles param a fábrica, para a Renault do Brasil,” diz o presidente da montadora.

Para continuar crescendo, a partir de 2013 novos investimentos serão feitos, porem não há garantias que eles virão para o Brasil. Jalinier defende que a ampliação seja na planta de São José dos Pinhais, mas justamente pelo custo Brasil outros países entraram na briga como Argentina e México. “ Se a decisão fosse tomada hoje o México ficaria com os investimentos já que temos uma fábrica da Nissan (que pertence ao mesmo grupo) por lá.” anuncia o presidente da Renault.

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