China se envolveu em 250 projetos no Brasil no período de 2003 a 2017, com valores totais de US$ 123,9 bilhões

Os investimentos chineses na América Latina, especialmente no Brasil, são reflexos do progresso das reformas econômicas da China dos últimos 40 anos; a China é um dos países que mais investem no Brasil; investiu US$ 20,9 bilhões no Brasil em 2017, tendo sido atingida a segunda maior marca desde 2003; de acordo com o Ministério do Planejamento brasileiro, entre anunciados e confirmados, a China se envolveu em 250 projetos no Brasil no período de 2003 a 2017, com valores totais de US$ 123,9 bilhões 

China se envolveu em 250 projetos no Brasil no período de 2003 a 2017, com valores totais de US$ 123,9 bilhões
China se envolveu em 250 projetos no Brasil no período de 2003 a 2017, com valores totais de US$ 123,9 bilhões

247, com Diário do Povo on line, por Hsia Hua Sheng (*) - Os investimentos chineses na América Latina, especialmente no Brasil, são reflexos do progresso das reformas econômicas da China dos últimos 40 anos. Durante esse período, não só o volume do investimento, mas também a sua natureza, acompanharam a evolução do desenvolvimento e dos avanços tecnológicos da economia chinesa.

A China é um dos países que mais investem no Brasil. Para se ter uma ideia do crescimento do investimento, a China investiu US$ 20,9 bilhões no Brasil em 2017, tendo sido atingida a segunda maior marca desde 2003. De acordo com o Ministério do Planejamento brasileiro, entre anunciados e confirmados, a China se envolveu em 250 projetos no Brasil no período de 2003 a 2017, com valores totais de US$ 123,9 bilhões. Destes, 93 projetos foram confirmados, totalizando US$ 53,5 bilhões.

Em relação aos investimentos chineses no Brasil, podemos dividí-los em 3 grandes fases. A primeira fase teve início em 2002 e terminou em 2010. Nessa época, a China estava realizando grandes obras de infraestrutura. Como tal, os investimentos chineses concentravam-se em atividades relacionadas às commodities (matérias-primas). Commodities do setor metalúrgico, energético e alimentar dominavam a pauta de exportações brasileiras para China. Nessa época ocorreram várias negociações nos setores de mineração, energia, siderurgia e agronegócio. O caso de maior repercussão foi o investimento de US$ 7,1 bilhões na compra de 40% das operações brasileiras da espanhola Repsol por parte da estatal chinesa Sinopec. Essa transação foi o segundo maior valor pago por uma petroleira chinesa para adquirir empresas no exterior desde 2002.

A segunda fase corresponde ao período entre 2011 e 2013. A maioria das grandes empresas chinesas da indústria tradicional não só dominavam o mercado doméstico, com marcas locais fortes, mas também começaram a sua expansão no mercado internacional. Essas empresas investiram inicialmente no Brasil, pois ali detetaram novas oportunidades, um bom momento econômico e o potencial do mercado de consumido interno brasileiro na área de manufatura- especialmente nos setores de maquinaria, equipamentos, automotivo e de aparelhos eletrônicos. Assim, várias empresas que tinham fábricas no Brasil ampliaram seus investimentos. Outras empresas chinesas que tinham apenas relações comerciais no Brasil, começaram a instalar suas fábricas no país, por exemplo, Sany e XCMG (máquinas e equipamentos), Gree (eletrodomésticos) e Chery (automóveis).

Após 2013 teve início a terceira fase de investimentos, marcada pelos aportes de capital na área de serviços. Podemos notar que os principais setores de investimento no Brasil refletem o atual dinamismo tecnológico da economia chinesa, onde várias das suas multinacionais figuram entre as 500 maiores empresas do mundo, sendo extremamente competitivas na sua área de negócios. As maiores empresas de tecnologia tais como a BYD, Baidu, Grupo Tencent e Grupo Alibaba, investiram em empresas de e-commerce, pagamentos e fintechs no Brasil. Um exemplo interessante é o grupo Didi, do setor de tecnologia dos transportes urbanos, que adquiriu uma das empresas líderes no Brasil, a 99 Táxi.

Os quatro maiores bancos chineses: Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), Banco da China (BOC), Banco de Construção da China (CCB) e Banco Agrícola da China, consolidaram uma linha de negócios no Brasil, oferecendo empréstimos de longo prazo, capital de giro e serviços de câmbio para empresas brasileiras e empresas chinesas que atuam no Brasil.

As grandes empresas dos setores de geração, transmissão e distribuição de energia também fizeram várias aquisições no Brasil. A China Tree Gorges (CTG), por exemplo, é responsável por 17 hidrelétricas brasileiras e anunciou no final de 2018 a intenção de investir mais US$ 1 bi nos próximos 10 anos para se consolidar no Brasil. A State Grid já investe ativamente em leilões de transmissões de energia no Brasil e comprou também a CPFL, uma das maiores empresas energéticas do país. Por fim, em relação ao agronegócio, há o exemplo da Cofco, que também fez várias aquisições de tradings agrícolas no Brasil.

Em suma, a evolução do progresso da economia chinesa repercutiu-se na diversidade dos investimentos externos do país. Essa diversidade permite formar parcerias e cooperações internacionais em áreas importantes da economia, as quais contribuem para um desenvolvimento econômico mais sustentável e equilibrado, tanto nos países recetores de investimento, como é o caso do Brasil, como na própria economia chinesa.

(*) da FGV-EAESP

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