Com rebaixamento, bolsa afunda e dólar dispara
Ibovespa abriu em forte queda nesta manhã depois do rebaixamento do rating do Brasil de "BBB-" para "BB+" pela Standard & Poor's; às 10h20, o índice da Bolsa brasileira caía 2,06%, a 45.696 pontos; às 11h50, o dólar estava cotado a R$ 3,87, com alta de 2,09%; mais cedo, por volta de 9h30, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,90 (alta de 2,69%); BC fez mais um leilão de venda de dólares, com compromisso de devolver o dinheiro às reservas internacionais no futuro. No chamado leilão de linha, o BC anunciou a venda de até US$ 1,5 bilhão
Kelly Oliveira, da Agência Brasil - O dólar opera em alta hoje (10), mas o aumento na cotação foi suavizado com a intervenção do Banco Central (BC) no mercado de câmbio. Às 11h50, o dólar estava cotado a R$ 3,87, com alta de 2,09%. Mais cedo, por volta de 9h30, o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,90 (alta de 2,69%).
Hoje, o BC fez mais um leilão de venda de dólares, com compromisso de devolver o dinheiro às reservas internacionais no futuro. No chamado leilão de linha, o BC anunciou a venda de até US$ 1,5 bilhão. As datas da compra de dólares estão marcadas para janeiro e abril do próximo ano.
No último dia 8, o BC também fez um leilão de venda de dólares com compromisso de recompra. Com mais dólares no mercado, o BC tenta conter a alta da moeda.
O dólar sobe após o anúncio do rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela agência de classificação de risco Standard&Poor's (S&P), ontem (9) à noite. A agência reduziu a nota de crédito do Brasil de BBB- para BB+, com perspectiva negativa, o que significa que há chance de nova revisão para baixo no futuro. Com o rebaixamento, o Brasil perdeu o grau de investimento, conferido a países considerados bons pagadores e seguros para investir.
Leia reportagem anterior do 247, com Infomoney:
O Ibovespa abre em forte queda nesta quinta-feira (10) depois do rebaixamento do rating do Brasil de "BBB-" para "BB+" pela Standard & Poor's, tornando-se a primeira agência a tirar o grau de investimento do País.
Para que a perda se confirme e o Brasil passe para o grau especulativo, é preciso mais um rebaixamento por outra agência. Muitos analistas destacaram a importância do rebaixamento pela surpresa do timing e da mudança da perspectiva para negativa.
Às 10h20 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira caía 2,06%, a 45.696 pontos. Já o o dólar comercial sobe 2,54% a R$ 3,8958 na venda, ao mesmo tempo em que o dólar futuro para outubro disparava 2,31% a R$ 3,895.
A Nomura disse que a previsão de dólar a R$ 4,00 no fim do ano já é otimista. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 subia 54 pontos-base a 15,37%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 disparava 54 pbs a 15,19%.
Com a alta do dólar, o Banco Central decidiu fazer mais um leilão de venda de dólares, com compromisso de comprar novamente a moeda no futuro. No chamado leilão de linha, o BC vai vender até US$ 1,5 bilhão. As datas da compra de dólares estão marcadas para janeiro e abril do próximo ano.
No último dia 8, o BC anunciou a venda de até US$ 3 bilhões das reservas internacionais, com o compromisso de comprar novamente os dólares em novembro. Com mais dólares no mercado, o BC tenta suavizar a alta da moeda.
Com o corte do rating, o CDS (Credit Defaul Swap) do Brasil, que é o seguro contra calote dos títulos da dívida brasileiros, sobe 14,6 pontos-base, a 386,68 pontos. Assim, o CDS atinge o seu maior patamar desde 10 de março de 2009.
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4), cujos ADRs (American Depositary Receipts) negociados no pré-market da Bolsa de Valores de Nova York caíam mais de 6% estavam cotadas para abrir em forte queda. Todas as principais blue chips que compõem a carteira teórica do Ibovespa estavam ainda em leilão.
Com tantas notícias sobre o rating, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) relativa à última reunião, na qual a taxa Selic foi mantida em 14,25% ao ano, acabou ficando em segundo plano. Na ata da última reunião do Copom, o BC disse que a política monetária tem de manter vigilância diante de maior prêmio de risco. No entanto, no texto, a autoridade monetária apontou que o cenário de convergência da inflação a 4,5% pelo IPCA no final de 2016 tem se mantido. A expectativa pela ata é de manutenção da Selic em 14,25% pelos próximos meses.
Outra notícia que ficou fora do radar é o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,22% em agosto, contra alta de 0,62% no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. No acumulado de 12 meses até agosto, o IPCA subiu 9,53% no mês passado, mostrando ligeira queda ante os 9,56% de julho. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,23% em agosto, acumulando em 12 meses avanço de 9,56%.
Petrobras cai 5% e exportadoras se "salvam" após corte de rating
Hoje, o dia é forte aversão ao risco para os mercados, com 58 ações operando em queda, após o corte do rating que tirou o selo de bom pagador do Brasil pela Standard & Poor's. Com isso, as ações da Petrobras (PETR3;PETR4) estão em expressiva queda. Os ativos PN da petroleira registram queda de 4,65%, a R$ 8,00, enquanto os ON têm baixa de 3,72%, a R$ 9,32.
Para tomadoras de empréstimos de grande porte como a Petrobras, mesmo o impacto de curto prazo da decisão da S&P pode ser significativo, especialmente com a turbulência do rebaixamento sobre os mercados de câmbio e ativos de risco. Petrobras enfrenta o peso de cerca de 140 bilhões de dólares em dívida --maior patamar de qualquer petroleira global-- e seus custos de financiamento subirão enquanto os termos de refinanciamento também ficam mais duros, destacam investidores.
As siderúrgicas diminuem as perdas após abrir em baixa de cerca de 5%, com a CSN (CSNA3) em queda de cerca de 1,15%, a R$ 4,28, enquanto a Usiminas (USIM5, R$ 3,75, -0,22%) tem leve baixa e a Gerdau zerou as perdas.
Os bancos voltam a ter queda, de cerca de 3%, com destaque para o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,15, -3,18%), Bradesco (BBDC3, R$ 24,31, -2,53%; BBDC4, R$ 22,44, -3,07%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 16,57, -3,38%).
O dólar comercial registra alta de 2,02%, a R$ 3,876 na venda, nesta sessão, o que complica ainda mais a situação das empresas que tem dívida atrelada à divisa norte-americana. Este é o caso da Gol (GOLL4, R$ 4,25, -5,97%), que registra uma das maiores baixas do Ibovespa. As perspectivas é de uma desvalorização ainda maior do real e, segundo o Société Générale, o dólar deve chegar a R$ 4,40 nas próximas 8 semanas.
Na outra ponta, as empresas que têm sua receita atrelada ao dólar, como é o caso das exportadoras, beneficiam-se de um cenário da divisa mais alta. É o caso de Embraer (EMBR3, R$ 23,82, +2,28%), Fibria (FIBR3, R$ 54,30, +1,69%) e Suzano (SUZB5, R$ 19,15, +1,70%).
Enquanto isso, as ações da Vale (VALE3, R$ 19,54, +2,52%; VALE5, R$ 15,58, +1,43%) ganham forças e sobem mais de 1%, assim como as ações da JBS (JBSS3, R$ 16,34, +1,68%).
Dilma reúne coordenação política após rebaixamento de rating do Brasil
Reuters - A presidente Dilma Rousseff decidiu reunir novamente na manhã desta quinta-feira seu núcleo de coordenação política, um dia depois de o Brasil perder o selo de bom pagador com o rebaixamento do rating soberano pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.
Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, a reunião será nos moldes da que ocorre normalmente às segundas-feiras. Na agenda da presidente divulgada na véspera, constava no horário uma reunião dela apenas com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.
(Reportagem de Leonardo Goy)