Comunidades indígenas lançam criptomoeda para se recuperarem do impacto da pandemia

OYX, criptomoeda mundial indígena transcultural, idealizada por comunidades de Rondônia e de Mato Grosso para enfrentar as dificuldades financeiras agravadas pela pandemia da Covid-19, foi criada pelos povos Suruí Paiter e os Cinta Larga

(Foto: Thiago Gomes / Fotos Públicas)
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Sputnik - Foi lançada na quarta-feira (11) a OYX, uma criptomoeda mundial indígena transcultural, idealizada por comunidades de Rondônia e de Mato Grosso para enfrentar as dificuldades financeiras agravadas pela pandemia da COVID-19.

A criptomoeda foi idealizada por dois povos indígenas que eram historicamente rivais: os Suruí Paiter e os Cinta Larga.

Em entrevista à Sputnik Brasil, Adriana Siliprandi, porta-voz da criptomoeda OYX, explicou que foi procurada por Elias Oyxabaten Suruí, do povo Suruí Paiter, para viabilizar a ideia.

"Nós começamos a trabalhar e montamos a empresa chamada Oyxabaten que vai fazer a administração dessa moeda", explicou.

As criptomoedas são moedas virtuais, armazenadas em carteiras digitais, que podem estar on-line instaladas em computadores ou celulares.

Segundo Adriana Siliprandi, o objetivo da OYX é gerar recursos que auxiliem esses povos indígenas a se recuperarem dos impactos econômicos gerados pela pandemia.

"Para que sejam arrecadados fundos para dar a dignidade aos indígenas que estão sofrendo bastante com a pandemia, sem saneamento básico, sem condições de subsistência e também que sirva como uma moeda de troca entre eles e de compra dos produtos que eles fabricam", contou.

Juntas, a comunidade dos Suruí Paiter e dos Cinta Larga somam cerca de quatro mil pessoas.

Adriana Siliprandi explicou que a ideia não é que a OYX seja uma criptomoeda especulativa, como os bitcoins.

"A OYX não é um investimento, ela é um meio de troca e também um meio de captar recursos para subsistência dos próprios indígenas", explicou.

Serão emitidas inicialmente 100 milhões de OYX, com valor de R$ 10 a unidade. Segundo Adriana Siliprandi a ideia é que as criptomoedas sejam utilizadas em um primeiro momento como meio de troca entre as comunidades.

"Nós passaremos a utilizá-la como meio de trocas entre as comunidades e também com pessoas que compraram essa moeda neste primeiro momento, para ajudar a comunidade, possam trocá-las no futuro por produtos que a própria comunidade vai desenvolver", completou.

Segundo a plataforma do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) contabilizou, até o dia 6 de novembro, 32.746 casos de COVID-19 entre os indígenas brasileiros, com 478 óbitos causados pela doença.

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