Construção civil se retrai em 2017 e segura recuperação da economia

Em retração desde 2013, a construção civil segura a recuperação da economia brasileira: a construção civil fechará 2017 com queda de 5,7% ante uma alta de 0,8% do PIB do Brasil; desde o segundo trimestre de 2013, a queda acumulada é de 14,3%, enquanto que o PIB recuou 5,5% no período; o fraco desempenho da construção civil nos últimos anos é reflexo da operação Lava Jato, da queda nos investimentos públicos e do esfriamento do mercado imobiliário: há 2,21 milhões de pessoas trabalhando em vagas com carteira assinada na construção, ainda bem abaixo dos 3,21 milhões registrados em agosto de 2013

Visita ao Presídio de Pirapora. Presos trabalham nas reformas, construção da passarela de vigia e assitem aula. Cela íntima e antigos mourões que serviam de cerca no presídio e foram substituídos por um muro contruído pelos presos.
Visita ao terreno onde
Visita ao Presídio de Pirapora. Presos trabalham nas reformas, construção da passarela de vigia e assitem aula. Cela íntima e antigos mourões que serviam de cerca no presídio e foram substituídos por um muro contruído pelos presos. Visita ao terreno onde (Foto: Charles Nisz)

247 - Em retração desde 2013, a construção civil segura a recuperação da economia brasileira. Levantamento do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada (Sinicon) mostra que a construção é o setor com queda mais intensa dentre os setores macroeconômicos.No primeiro semestre, o PIB da construção caiu 6,6% na comparação com 2016, puxando para baixo o resultado geral da indústria (-1,6%). O economista do Ibre/FGV, Júlio Mereb, projeta que a construção civil fechará 2017 com queda de 5,7% ante uma alta de 0,8% do PIB do Brasil.

A construção caiu mais do que a média da economia nos últimos três anos. Desde o segundo trimestre de 2013, a queda acumulada é de 14,3%, enquanto que o PIB recuou 5,5% no período. Quase 1 milhão dos 2,7 milhões de vagas formais que deixaram de existir no país foram na construção. A retomada é mais lenta pelo uso intensivo de mão de obra e pelo elevada necessidade de investimento. No segundo trimestre, a taxa de investimentos no país foi de 15,5%, segundo o IBGE, a menor desde 1996.

O fraco desempenho da construção civil nos últimos anos é reflexo da operação Lava Jato, da queda nos investimentos públicos e do esfriamento do mercado imobiliário. Há 2,21 milhões de pessoas trabalhando em vagas com carteira assinada na construção, ainda bem abaixo dos 3,21 milhões registrados em agosto de 2013. A baixa escolaridade e qualificação da mão de obra do setor dificulta a recolocação. Segundo o Sinicon, 50% não têm o ensino médio completo e 53% têm entre 30 e 49 anos.

A crise fiscal levou o governo federal e os estados e municípios a investir menos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também emprestou menos. Os desembolsos caíram à metade, de R$ 38,8 bilhões em 2015 para R$ 19,5 bilhões em 2016. Há mais de 8,2 mil obras paralisadas em todo o Brasil, segundo um estudo de setembro da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Outras 11,2 mil deveriam estar em andamento, mas não foram sequer iniciadas por não receber repasses da União. 

Além das obras de infraestrutura, o mercado imobiliário é outro segmento da construção civil que ainda sofre com a crise. O número de imóveis novos ofertados no país começou a cair em 2017. O estoque, no entanto, continua elevado. Levantamento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) mostra que a oferta total média disponível em 2017 está em 119.823 unidades, ante 116.308 em 2016.

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