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Convite da Opep+ ao Brasil ganha destaque na imprensa global

A OPEP+ convidou o Brasil, um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo, a se tornar membro do grupo. O ministro Alexandre Silveira disse que espera ingressar em janeiro

Opep+ (Foto: REUTERS/Ramzi Boudina)

REUTERS - Os produtores de petróleo da OPEP+ concordaram, nesta quinta-feira, em cortes voluntários de produção totalizando cerca de 2,2 milhões de barris por dia (bpd) para o início do próximo ano, liderados pela Arábia Saudita, que manterá seu atual corte voluntário.

Arábia Saudita, Rússia e outros membros da OPEP+, responsáveis por mais de 40% do petróleo mundial, se reuniram online nesta quinta-feira e divulgaram uma declaração resumindo os anúncios de cortes voluntários feitos pelos países após o término da reunião.

A OPEP+ também convidou o Brasil, um dos dez maiores produtores, a se tornar membro do grupo. O ministro de energia do país disse que espera ingressar em janeiro.

Os preços do petróleo caíram após subirem mais de 1% mais cedo na sessão, quando os produtores da OPEP+ concordaram com os cortes. O petróleo Brent de referência para os contratos de fevereiro estava mais de 2% mais baixo, sendo negociado a pouco menos de US$ 81 por barril às 18h36 GMT. O contrato de janeiro vencerá ainda nesta quinta-feira.

"A reação do mercado sugere descrença na eficácia total dos cortes", disse o analista do JP Morgan, Christyan Malek. "No entanto, estabelecer um novo quadro para cada membro cumprir com seu corte reflete o grau de confiança e coesão entre os membros; o fato de o Brasil estar se juntando é um testemunho da força numérica da OPEP+."

O grupo se reuniu para discutir a produção de 2024 diante das previsões de um possível excedente no mercado e do fim, no próximo mês, do corte de 1 milhão de barris por dia (bpd) pela Arábia Saudita.

A produção da OPEP+ de cerca de 43 milhões de bpd já reflete cortes de cerca de 5 milhões de bpd destinados a apoiar os preços e estabilizar o mercado.

Os cortes totais correspondem a 2,2 milhões de bpd de oito produtores, informou a OPEP em comunicado, sem anunciar os detalhes inicialmente. Incluído nesse número está a prorrogação dos cortes voluntários da Arábia Saudita e Rússia de 1,3 milhão de bpd.

Dos 900.000 bpd de cortes adicionais prometidos na quinta-feira, estão incluídos 200.000 bpd de reduções nas exportações de combustíveis pela Rússia, sendo o restante dividido entre seis membros.

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, disse que o corte voluntário da Rússia incluirá petróleo bruto e produtos.

Os Emirados Árabes Unidos disseram que concordaram em reduzir a produção em 163.000 bpd, enquanto o Iraque afirmou que cortaria mais 220.000 bpd no primeiro trimestre.

Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait, Cazaquistão e Argélia estavam entre os produtores que disseram que os cortes serão revertidos gradualmente após o primeiro trimestre, se as condições do mercado permitirem.

A OPEP+ está focada em reduzir a produção, com os preços caindo de quase US$ 98 no final de setembro e preocupações crescentes com o crescimento econômico mais fraco em 2024 e expectativas de um excedente de oferta.

A Agência Internacional de Energia (AIE) previu neste mês uma desaceleração no crescimento da demanda em 2024, à medida que "a última fase da recuperação econômica da pandemia se dissipa e ganhos avançados na eficiência energética, expansão de frotas de veículos elétricos e fatores estruturais se reafirmam."

A reunião da OPEP+ coincide com a abertura da Cúpula do Clima COP28 das Nações Unidas, hospedada pelo membro da OPEP, os Emirados Árabes Unidos.