Delfim faz apelo à razão e pede harmonia entre os poderes
O economista e ex-ministro Delfim Netto publica um importante artigo nesta quarta-feira, sobre a onda de irracionalidade que tomou conta do País; segundo ele, o Legislativo "aproveitou a dramática redução do suporte popular do Executivo para chantageá-lo com as práticas conhecidas"; o Judiciário, por sua vez, "constituiu-se no sindicato de seus ilustres membros"; segundo Delfim, é hora de "sentar e conversar"
247 – "Não há mais como esconder fatos desagradáveis que baixaram a um nível preocupante a harmonia entre os Poderes Executivo e o Legislativo, acompanhados do aparente comportamento do Judiciário, que é o 'garante' da construção da sociedade civilizada que a Constituição de 1988 prometeu a todos os cidadãos", diz o economista e ex-ministro Delfim Netto, no artigo É a hora.
Delfim aponta erros em todos os poderes. "O Poder Executivo fez uma conversão para melhor na política econômica. Entretanto, não foi expressamente reconhecida e explicada para a necessária correção do oportunismo eleitoral que o manteve no poder. Foi, consequentemente, interpretado como uma traição aos seus eleitores", afirma.
O Legislativo, por sua vez, seguiu no caminho da irresponsabilidade. "A gigantesca 'base' quantitativa do governo apoiada no seu partido, o PT, aproveitou a dramática redução de seu suporte popular para chantageá-lo com as práticas conhecidas. Desidratou o 'ajuste fiscal' que foi aprovado a 'fórceps'. Devolveu-o na forma de um aleijão, não sem antes infestá-lo de carrapatos", afirmou.
E o Judiciário seguiu pela mesma trilha. "É difícil rejeitar a hipótese de que, diante da perda de confiança da sociedade no Executivo, somada à enorme desarrumação política do Legislativo, o Judiciário tenha cometido o pecado venial do oportunismo e, por um instante, constituiu-se no sindicato de seus ilustres membros"
Segundo Delfim, é hora de "sentar e conversar".