HOME > Economia

Delfim: governo precisa dar confiança à sociedade

"O governo precisa dizer: eu existo. Propor programas factíveis que devolvam confiança a sociedade. Economia é só expectativa. Desenvolvimento é um estado de espírito. Nós vamos voltar a crescer. É preciso dar à sociedade um pouco mais de tranquilidade", diz o economista Delfim Netto, que foi conselheiro dos governos Lula e Dilma; ele defende ainda que a presidente retome posturas parecidas com as do antecessor, lembrando que "Lula é um promoter"; ao comentar a situação fiscal, Delfim defendeu o ajuste, mas afirmou que houve 'estelionato eleitoral' em 2014 para garantir a reeleição; "essa é uma questão moral que abalou a credibilidade do governo, mas o importante é o conserto"

Data: 14/12/2011 Editoria: Cultura Reporter: Robinson Borges Local: Roma Ristorante e Rotisserie, Higienopolis, Sao Paulo, SP Pauta: Entrevista de Claudia Safatle com o economista Antonio Delfim Netto, para secao A Mesa com o Valor, no Roma Ris (Foto: Leonardo Attuch)

247 – Em entrevista à jornalista Raquel Landim (leia aqui), o economista Delfim Netto, de 87 anos, defendeu o ajuste fiscal, mas também propôs que a presidente Dilma Rousseff venda mais confiança à sociedade, lembrando que seu antecessor, o ex-presidente Lula, foi um "promoter".

"O governo precisa dizer: eu existo. Propor programas factíveis que devolvam confiança a sociedade. Economia é só expectativa. Desenvolvimento é um estado de espírito. Nós vamos voltar a crescer. É preciso dar à sociedade um pouco mais de tranquilidade. Essa era a vantagem do Lula. O Lula é um promoter", aponta Delfim.

O economista, que foi responsável pelo 'milagre econômico' da ditadura militar, defendeu o ajuste fiscal, mas apontou um 'problema moral' do governo Dilma. "O ajuste fiscal é necessário. No ano passado, ocorreu uma deterioração fiscal muito profunda. Até dezembro de 2013, a situação era desagradável, mas não tinha gravidade. O desequilíbrio de 2014 foi deliberadamente produzido para a reeleição e atingiu seu objetivo".

Questionado sobre 'estelionato eleitoral', ele disse não ter dúvidas disso. "Não tenho dúvida, é um absurdo tentar negar. Dilma fez uma mudança na política econômica equivalente à de são Paulo na estrada de Damasco. Essa é uma questão moral que abalou a credibilidade do governo, mas o importante é o conserto."

Sobre a volta do crescimento, ele afirmou que tudo depende da recuperação do setor industrial. "A indústria sofreu o efeito dramático da política cambial. Todos os estímulos foram incapazes de compensar o prejuízo de valorizar o câmbio para controlar a inflação. Nunca faltou demanda para produtos industriais. O que faltou foi demanda para produtos industriais feitos no Brasil. As importações aumentaram, substituindo produtos brasileiros, e as exportações caíram. Agora isso começa a ser revertido com o novo patamar do câmbio. Sem resolver o problema da indústria, não vamos voltar a crescer."