Derrota do governo derruba bolsa e faz dólar disparar

Derrota do governo Temer no Senado nesta terça-feira 20 assusta investidores; Ibovespa registra perda de 1,53% e volta a rondar o patamar de 61 mil pontos; outros fatores de receio do mercado financeiro são a incerteza no cenário político e queda da cotação do petróleo em mercados internacionais

Ibovespa
Ibovespa (Foto: Charles Nisz)

Do Infomoney - Logo após a CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado rejeitar o texto da Reforma Trabalhista por 10 votos a 9, o Ibovespa consolidou o movimento de queda acompanhado desde a abertura e às 14h32 (horário de Brasília) registra queda de 1,57%, voltando a rondar a faixa de 61 mil pontos, muito próximo da mínima (60.315 pontos) alcançada no dia pós-delação da JBS.

Embora esse veto seja mais "simbólico", pois o texto seguirá para a CCJ antes da apreciação final do plenário, a reação dos investidores deixa clara a preocupação com a força do governo Temer em aprovar reformas ainda mais complicadas, como a da Previdência, vital para o andamento da política fiscal.

Por conta do aumento da percepção de risco, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 disparam 17 pontos-base, para 10,14% ao ano, enquanto os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2019 subiam 12 pbs, para 9,08%. O dólar comercial, por sua vez, registra valorização de 1,22%, cotado a R$ 3,33 na venda.

Texto segue mesmo com a "reprovação"
Em rápida votação realizada no começo desta tarde, senadores da CAS rejeitaram o relatório do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) por 10 votos contrários à Reforma Trabalhista e 9 favoráveis, com 1 abstenção.

Vale uma ressalva importante: a CAS tem apenas peso consultiva. Mesmo com o parecer sendo rejeitado pelos senadores, o texto segue em tramitação e vai para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) antes da apreciação final no plenário - esperada para acontecer na próxima semana. O governo descarta a hipótese de acelerar o processo, mas, caso necessário, um acordo de líderes pode encurtar o calendário e levar o assunto diretamente ao plenário.

Analistas apontam que, mesmo seguindo para plenário, a rejeição na Comissão mostra grandes dificuldades para Temer. "A Comissão de Assuntos Sociais do Senado não tem poder de veto ou de alteração do texto, porém o sinal é muito ruim em vista à perspectiva de aprovação da CCJ e no plenário, e também um sinal de perda de força de Temer", afirma a equipe da Infinity Asset.

Já Pablo Spyer, diretor da mesa de operações da Mirae Asset, lembra que a reforma trabalhista é considerada "menos importante" que a da Previdência e tida como mais fácil de aprovar porque é algo que a população está aceitando. "Se está difícil aprovar essa reforma que era a fácil, imagine uma que cai mal aos eleitores", alerta.

Para Paulo Petrassi, sócio da Leme Investimentos, a situação é bem caótica: "Temer não tem condições de levar as reformas adiante". Segundo ele, "vão continuar aparecendo coisas negativas para o governo" e seria "muito bom se Temer pedisse demissão".

Altas e baixas da B3
O principal destaque negativo fica com as ações Estácio, diante das dificuldades com a aprovação da fusão com Kroton. Um pedido da Estácio que ajudaria a resolver a fusão com a Kroton, hoje em análise no Cade, não teve sequer resposta na secretaria do Ministério da Educação que regula o ensino superior no País.

Na ponta de cima, o destaque positivo fica com as ações da Ambev (ABEV3), empresa preterida por investidores em momentos de maior incerteza no mercado.

Derrocada do petróleo
Lá fora, o destaque do dia fica com a queda de quase 3% do petróleo em Nova York, que voltou a valer menos de US$ 43,00 pela primeira vez em 7 meses por conta de rumores de que Nigéria e Líbia irão aumentar a produção da commodity, contrariando a política da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Diante desta possibilidade de aumento, a queda da atividade econômica na China e a própria retração da demanda mundial pela commodity, o  Banco Central russo acredita que o Brent (contratos de petróleo negociados em Londres) poderá chegar a US$ 25 o barril até meados de 2018. Vale lembrar que os analistas de mercado acreditam que o Brent pode chegar a US$ 50 por barril.

Novas denúncias contra Temer
Para completar o dia de notícias negativas, o caos político ganhou novos capítulos nesta terça-feira com denúncias contra Michel Temer. Segundo informações da GloboNews, o presidente Michel Temer recebeu R$ 500 mil em propina via a OAS na campanha presidencial de 2014, quando concorreu ao lado de Dilma Rousseff. De acordo com documentos que fazem parte da investigação do MPF (Ministério Público Federal), a quantia foi repassada através da empreiteira para Henrique Eduardo Alves, então candidato ao governo do Rio Grande do Norte em 2014.

Além disso, a Polícia Federal enviou um relatório ao STF (Supremo Tribunal Federal) em que afirma que as investigações indicam que houve a prática de corrupção passiva no caso envolvendo o presidente e seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures. Apesar disso, a PF pediu um prazo maior ao ministro Edson Fachin para finalizar o relatório. De acordo com a publicação, a polícia não se manifestou sobre obstrução de Justiça porque depende da perícia das gravações secretas feitas por Joesley Batista e que ainda não foram concluídas.

Aécio vs STF e Lula vs Moro
A Primeira Turma do STF analisa neste momento o pedido de prisão da PGR contra o senador afastado Aécio Neves. Contudo, mesmo se for aceito o pedido de prisão, a decisão passará pelo plenário do Senado e, com 41 votos contrários, a prisão pode ser suspensa. Porém, segundo o jornal O Estado de São Paulo, o STF não deve acolher o pedido de prisão preventiva do senador afastado.

Para completar a agenda política, a partir desta terça-feira poderá sair a qualquer momento a sentença do juiz Sérgio Moro no caso triplex do Guarujá, em que o ex-presidente Lula é acusado de ter recebido o apartamento da construtora OAS. Essa será a primeira sentença na Operação Lava Jato.

Indicadores domésticos
O Ministério do Trabalho divulga às 15h30 os dados do Caged de maio. A estimativa, de acordo com economistas consultados pela Bloomberg, é de criação de 18.114 vagas de trabalho. Antes disso, às 10h00, a Receita Federal divulgou a arrecadação de maio, que recuou para R$ 97,7 bilhões (a estimativa era de R$ 99,4 bilhões), sendo este o pior maio desde 2010.

Logo após a CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado rejeitar o texto da Reforma Trabalhista por 10 votos a 9, o Ibovespa consolidou o movimento de queda acompanhado desde a abertura e às 14h32 (horário de Brasília) registra queda de 1,57%, voltando a rondar a faixa de 61 mil pontos, muito próximo da mínima (60.315 pontos) alcançada no dia pós-delação da JBS.

Embora esse veto seja mais "simbólico", pois o texto seguirá para a CCJ antes da apreciação final do plenário, a reação dos investidores deixa clara a preocupação com a força do governo Temer em aprovar reformas ainda mais complicadas, como a da Previdência, vital para o andamento da política fiscal.

Por conta do aumento da percepção de risco, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2021 disparam 17 pontos-base, para 10,14% ao ano, enquanto os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2019 subiam 12 pbs, para 9,08%. O dólar comercial, por sua vez, registra valorização de 1,22%, cotado a R$ 3,33 na venda.

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