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Diretora do FMI diz que Brasil precisa de obras

Num momento em que todas as atenções se voltam à inflação, a francesa Christine Lagarde elege como prioridade para o país destravar os gargalos de infraestrutura para se recolocar no rumo do crescimento econômico; "a Copa e a Olimpíada são a justificativa perfeita para isso", diz

Diretora do FMI diz que Brasil precisa de obras (Foto: Michael Wuertenberg)

247 – Num momento em que todas as atenções se voltam à inflação, diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, elegeu o investimento em infraestrutura como prioridade para recolocar o Brasil na minha do crescimento.

Em entrevista à Folha, a francesa dividiu a recuperação mundial em três velocidades: um grupo avança mais rápido --os emergentes e os países de baixa renda; um segundo surpreendeu positivamente --como EUA e a Suécia-- e consertou parte das áreas combalidas; e um terceiro vem atrás, a zona do euro. O Japão é a incógnita.

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Emergentes

Os emergentes e os de baixa renda têm de aproveitar para refazer seus "amortecedores" e assegurar que os fluxos de capitais sejam bem geridos, para não ter risco de bolha.

Brasil

Apesar de baixo, o crescimento avançou, e prevemos que 2013 será melhor --embora estejamos revisando isso um pouco para baixo. Também achamos que o Brasil usou de modo eficaz as ferramentas fiscais e monetárias. A questão é que há muito a ser feito sobre os gargalos, em portos, aeroportos, rodovias... Aprimorar a infraestrutura poderia melhorar muito a situação do país, e é isso que sugerimos que seja priorizado. Eu adoro esportes, e vocês terão a Copa e a Olimpíada --é a justificativa perfeita para melhorar a infraestrutura e o transporte.

"Guerra cambial"

Todo mundo sempre presta muita atenção ao que diz meu colega, o ministro [da Fazenda Guido] Mantega, e às vezes ele fala com tanta paixão que usa palavras fortes. O que ele chama de "guerra cambial" eu chamo de preocupação cambial, e entendo que ela exista.

Vi também que ele disse não estar preocupado com o fluxo de capitais [externos], sinal de que o mercado brasileiro está absorvendo esse capital, e as ferramentas de controle estão sendo usadas. Mas vejo o discurso de guerra já se dissipando. E as preocupações têm de ser tratadas por todos.

FMI

Os europeus têm seu banco, e o Leste da Ásia também tem seu acordo. Esses arranjos intergovernamentais e regionais são totalmente compatíveis com o FMI. Não vejo o FMI perdendo energia, pois temos quase 70 anos de experiência em lidar com crises. Em 2012 o foco foi levantar fundos. Quero dar o rumo de prestação de contas. Acordos regionais são bons, mas é preciso garantir coordenação, cooperação e prestação de contas entre os países. Isso é mais difícil.