‘É o momento de gastar para combater a crise. O Estado não tem restrição para isso’, diz economista da Unicamp

Professor de Economia da Unicamp Pedro Rossi explicou à TV 247 que não há restrições técnicas que impeçam o Estado de gastar, e defendeu que isso seja feito para combater a crise da Covid-19. O que há, segundo Rossi, são regras políticas que podem ser alteradas para beneficiar a luta contra a pandemia. Assista

Pedro Rossi
Pedro Rossi (Foto: Divulgação)
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247 - O professor do Instituto de Economia da Unicamp Pedro Rossi disse à TV 247 que não há restrições financeiras ou técnicas que impeçam o Estado de gastar o que for necessário com o combate à pandemia do novo coronavírus. “Não há restrição financeira para o governo fazer o que tem que fazer. O governo tem mecanismos, o governo pode criar meios de pagamento, pode alocar recursos. Essa é a mensagem central”, cravou.

De acordo com Rossi, o caminho é a criação de meios de pagamento pelo governo, o que não precisa ser, necessariamente a impressão de dinheiro. “O Estado simplesmente pode gastar, e como ele faz isso? Emite um meio de pagamento. Não precisa ser literalmente imprimir dinheiro, é simplesmente a invenção, é contábil, você coloca ‘o Estado vai fazer um gasto em saúde no município tal’, e então ele coloca um dinheiro na conta tal que vai ser usado para o gasto de saúde, ele inventa meio de pagamento, ele não tem restrição técnica para isso, ele tem restrições políticas, regras, que podem ser tiradas de lado para fazer isso”.

Contra o argumento de que a criação de meios de pagamentos poderia gerar inflação, o economista ressaltou que o Banco Central pode intervir retirando dinheiro do mercado e aumentando a dívida pública, o que impediria um movimento inflacionário. “O Estado simplesmente pode gastar, e como ele faz isso? Emite um meio de pagamento. Não precisa ser literalmente imprimir dinheiro, é simplesmente a invenção, é contábil, você coloca ‘o Estado vai fazer um gasto em saúde no município tal’, e então ele coloca um dinheiro na conta tal que vai ser usado para o gasto de saúde, ele inventa meio de pagamento, ele não tem restrição técnica para isso, ele tem restrições políticas, regras, que podem ser tiradas de lado para fazer isso”.

Pedro Rossi disse que é preciso esclarecer que o Estado não funciona economicamente como uma família já que esta não define sua receita, que não pode imprimir dinheiro e que não determina os juros que pagarão por cada dívida. “O que a gente tem que tirar da cabeça das pessoas é a ideia de que o Estado é como uma família, é a ideia de que o Estado não tem dinheiro, que está quebrado. Há semanas  gasto público era o grande problema do Brasil, agora é a grande solução, é uma ideia completamente equivocada do funcionamento da máquina pública e da relação entre política fiscal e política monetária. A ideia de que não tem dinheiro pressupõe que o Estado de não tem capacidade de alocar recurso, de taxar, de imprimir dinheiro. É uma ideia completamente equivocada. O Estado é muito diferente de uma família, o Estado determina quanto ele arrecada, tem uma máquina de fazer dinheiro dentro de casa e emite um papel, chamado dívida pública, ao qual ele define uma taxa de juros sobre esse papel”. 

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