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Economia protecionista?

Entre as inúmeras fantasias criadas para tentar enfraquecer o governo da presidenta Dilma Rousseff, uma das mais delirantes e despropositadas é a de que o PT, desde que assumiu a Presidência, comandou uma guinada da economia brasileira em direção ao prot

Entre as inúmeras fantasias criadas pela mídia e pela oposição para tentar enfraquecer o governo da presidenta, Dilma Rousseff, uma das mais delirantes e despropositadas é a de que o PT, desde que assumiu a Presidência da República, há dez anos, comandou uma guinada da economia brasileira em direção ao protecionismo.

Qualquer analista econômico sério sabe que essa interpretação não se sustenta nos fatos. É baseada exclusivamente no preconceito de que, em economia, governos progressistas são avessos a qualquer iniciativa próxima do liberalismo e tendem a recorrer a medidas estatizantes.

É uma simplificação grosseira. Hoje em dia, alguns dos maiores sucessos econômicos em todo o mundo vêm sendo obtidos exatamente por governos progressistas. E um dos exemplos principais é justamente o Brasil, que tem conseguido manter distante os efeitos mais nocivos do naufrágio geral que atingiu algumas das principais economias do planeta. Não só isso: o Brasil vem combatendo a miséria e a fome, reduzindo a desigualdade e o desemprego e segurando a inflação em níveis perfeitamente toleráveis, apesar da histeria mal-intencionada de parte da mídia.

Todas essas conquistas não são resultado de uma política econômica "liberal" ou "estatizante". O governo do PT soube dosar o que seria melhor para o Brasil. Rejeitou a privataria que correu solta antes de 2003, mas também não adotou medidas que inibissem a iniciativa privada —pelo contrário, segue buscando maneiras de estimular o setor industrial. No comércio internacional, a prioridade do governo Dilma sempre foi preservar os interesses do Brasil, mantendo uma relação justa e leal com os países parceiros.

Um dos frutos dessa política bem sucedida foi a escolha do brasileiro Roberto Azevêdo, com apoio do governo Dilma, para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC). É o reconhecimento não só da importância econômica adquirida pelo Brasil nos últimos dez anos, mas também do respeito demonstrado pelo país às regras da OMC. E um dos princípios mais caros à OMC é justamente o combate ao protecionismo econômico.

Um relatório da Global Trade Alert, organização que monitora políticas que afetam o comércio internacional, acabou com qualquer possível dúvida e com o discurso de quem dizia, sem apresentar dados concretos, que a economia brasileira está mais protecionista. Segundo o relatório, o Brasil é o menos protecionista dos integrantes do G20, grupo que reúne os 20 países mais industrializados do planeta. Ou seja, é menos protecionista que EUA, Canadá, Alemanha, Japão e outros países.

O documento, segundo texto do "Wall Street Journal" reproduzido pelo "Valor Econômico", revela um crescimento do protecionismo em todo o mundo, com muitos governos privilegiando produtores locais e prejudicando concorrentes estrangeiros —fruto da guerra comercial que se alastrou pós-eclosão da crise econômica. A prática cada vez mais recorrente de medidas como a desvalorização artificial das moedas para incentivo de exportações e as manobras de expansão monetária adotadas nos últimos anos pelas quatro economias mais avançadas —EUA, União Europeia, Japão e Grã-Bretanha— nada mais são do que protecionismo disfarçado. E mal disfarçado.

Inclusive, a Global Trade Alert indica que o número de medidas protecionistas adotadas de outubro de 2012 a março deste ano foi o maior desde o início da crise financeira mundial, em 2008, e que muitas dessas medidas foram tomadas de forma dissimulada (como socorro a setores específicos e subsídios a produtores locais). Justamente por ter adotado uma série de ações liberalizantes, o Brasil ficou na última posição em protecionismo no período estudado.

Portanto, as acusações a oposição de que o governo federal tem sido "protecionista" só quer dizer uma coisa: que o governo do PT segue protegendo os interesses do povo brasileiro, cuidando para que o Brasil não perca oportunidades, torne-se cada vez mais competitivo e cresça com inclusão, distribuição de renda e combate à miséria.