Economistas estão em alerta sobre possibilidade de calote da dívida interna em 2021

Mercado financeiro teme que o governo federal não consiga pagar os R$ 643 bilhões em títulos da dívida pública que vencem entre janeiro e abril de 2021. O valor corresponde a 15,4% da dívida interna brasileira

www.brasil247.com - Medes de 1 real, Paulo Guedes e Bolsonaro
Medes de 1 real, Paulo Guedes e Bolsonaro (Foto: Reuters)


247 - O crescente rombo nas contas públicas deixou em alerta os investidores em função do risco de um calote por parte do governo no começo do próximo ano. O temor do mercado financeiro está atrelado às dívidas do governo federal, que somam cerca de R$ 643 bilhões e vencem entre janeiro e abril de 2021. O montante corresponde a 15,4% da dívida interna do Brasil. 

Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, os economistas ligados ao mercado desconfiam da capacidade do governo de emitir novos títulos para se financiar e honrar os compromissos, uma vez que o País não conseguiu implantar o ajuste fiscal. A desconfiança foi agravada em função da pandemia da Covid-19, que elevou a dívida pública e deve chegar ao final do ano a quase 100% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Somente em abril de 2021, o governo terá que pagar R$ 315 bilhões, valor próximo dos R$ 356,8 bilhões de todos os vencimentos registrados nos primeiros quatro meses de 2020. Com a desconfiança cada vez maior do mercado financeiro, o Tesouro Nacional vem ampliando os lançamentos de títulos de curto e médio prazo, com vencimentos entre seis meses e um ano. A iniciativa, porém, também é vista com ressalvas pelo mercado. 

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“O encurtamento do prazo de emissão e o consequente aumento da concentração de vencimentos em 2021 representa uma estratégia arriscada. Caso a situação fiscal continue incerta ou haja um evento de risco (externo ou interno) no início do próximo ano, o Tesouro se veria numa situação de ter de rolar volumes elevados a qualquer preço”, disse Sergio Goldenstein, analista independente da Omninvest e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) do Banco Central, em entrevista ao jornal. 

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