Eduardo Moreira sobre Previdência: é onde as injustiças sociais são corrigidas

Em entrevista à TV 247, o economista e ex-banqueiro Eduardo Moreira classificou o sistema previdenciário brasileiro como "o subgrupo dentro da nossa sociedade que tem algum tipo de justiça social"; ele também lembrou que a reforma da Previdência do governo Bolsonaro fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos; assista

Eduardo Moreira sobre Previdência: é onde as injustiças sociais são corrigidas
Eduardo Moreira sobre Previdência: é onde as injustiças sociais são corrigidas

247 - O economista, engenheiro e ex-banqueiro Eduardo Moreira participou de um debate sobre desigualdade e reforma da Previdência com Guilherme Boulos na TV 247. Ele fez críticas à proposta de reforma do governo Bolsonaro e explicou tecnicamente quais serão os danos para a sociedade brasileira caso ela seja aprovada.

Ele lembrou que o sistema previdenciário corrige as injustiças sociais do país, assim amenizando a desigualdade. "Você sabia que no Brasil existe uma sociedade onde os ricos ganham só 80% a mais que os pobres? Você sabia que no Brasil tem uma sociedade em que a taxa de pobreza é menor do que 10%? Onde brancos e negros ganham praticamente igual, onde homens e mulheres ganham praticamente igual e são mais de 30 milhões de pessoas? Sabe do que eu estou falando? Estou falando do Regime Geral de Previdência Social. É o regime onde boa parte das injustiças sociais do brasil são corrigidas pela figura do piso e do teto".

Moreira afirma que o discurso de "corrigir" a Previdência é falso porque ,atualmente, o sistema previdenciário é o que mais aproxima as pessoas e reduz a desigualdade no país. Eu li o texto da PEC 06, que é difícil de ler porque embrulha o estômago, e está escrito nos itens 50 e 51 onde fala assim 'a gente veio corrigir um problema que é o seguinte: os ricos no Brasil têm uma aposentadoria, em média, de R$ 2200,00 e os pobres de R$ 1200,00. A gente quer corrigir". Corrigir? Não existe uma igualdade maior do que ter o Regime Geral de Previdência Social, a gente está acabando com o único subgrupo dentro da nossa sociedade que tem algum tipo de justiça social".

Ainda sobre desigualdade, o economista explicou que o Brasil necessita de uma seguridade social forte justamente porque o tecido social é frágil, ou seja, a desigualdade é muito grande. "Tecido social frágil, proteção social forte. Não existe um país que tem tecido social frágil com proteção social frágil, aliás, leiam a Declaração dos Direitos Humanos, artigos 22 e 25, eles dizem que todo cidadão tem direito a ter um padrão de vida capaz de garantir o seu lazer, saúde... inclusive na velhice, por meio de uma seguridade social, a gente está ferindo a Declaração dos Direitos Humanos".

Eduardo Moreira também explicou como funciona o sistema de capitalização da Previdência previsto na proposta de reforma e mostrou qual o caminho que o dinheiro das pessoas que migrarem para esse sistema fará. "Em países como Bolívia, Chile e Argentina, todos que implementaram o regime de capitalização, boa parte dos fundo que estão nos fundos privados de Previdência, quase um quarto desse volume, é aplicado em CDB's que são depósitos bancários. Sabe o que o banco faz com esse dinheiro? Empresta para as pessoas. Sabe o que isso quer dizer? Que se a gente tiver a capitalização no Brasil, com 63 milhões de pessoas endividadas, o dinheiro que você vai pegar emprestado é o teu, é exatamente isso".

Sobre o argumento do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o Brasil economizará R$ 1 trilhão com a reforma, Eduardo Moreira lembrou que a maior parte deste dinheiro sairá dos mais pobres. "Riqueza não some nem aparece de um dia para o outro, então 'economizamos um trilhão de reais' parece que esse dinheiro não veio de lugar nenhum, 'não estamos gastando gastando um trilhão'. Esse dinheiro sai de um lugar e vai para outro, eu estou garantindo, isto é um fato, ele sai 85% das pessoas que ganham até dois salários mínimos e vai para o pagamento de juros das pessoas que são as mais ricas do país".

O economista ainda refutou as afirmações de que a reforma é necessária para garantir que o brasil não quebre financeiramente. "As pessoas dizem o seguinte: 'se o Brasil não fizer a reforma da Previdência o Brasil vai quebrar'. Então defina quebrar, o que você quer dizer com quebrar? Se o que você quer dizer com 'quebrar' é o seguinte: 'a gente não vai conseguir pagar o juros da nossa dívida e vamos ter que sentar para renegociar a nossa dívida', não é isso que você está fazendo com os aposentados agora? Então você está quebrando para os aposentados antes de quebrar para os banqueiros".

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