Eike acorda hoje US$ 2 bilhões mais pobre

Crise financeira cobra caro das empresas do homem mais rico do Brasil, que j perderam 49% do seu valor em bolsa desde maro

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247 – Hoje, o empresário Eike Batista levantou da cama na condição de brasileiro que mais perdeu com o vendaval que balançou as bolsas de valores do mundo inteiro. Apenas três de suas companhias listadas -- OGX, LLX e MMX – caíram, respectivamente, 16,4%%, 14,6% e 9,7%. Em valor de mercado, significa uma redução de R$ 6,3 bilhões em menos de 24 horas. Ao todo, a perda do Sr. X na bolsa de valores neste ano ultrapassa os R$ 50 bilhões. Com isso, o mercado avalia que a fortuna pessoal de Eike ficou menor em US$ 2 bilhões.

“Bateu paúra, mas meu sangue está geladérrimo”, disse Eike em entrevista a Toni Sciarretta, do jornal Folha de S. Paulo. Aos investidores que estão perdendo os papéis de suas companhias, ele tenta agradar com um discurso positivo. “Tenho a dizer que minhas companhias têm US$ 10 bilhões em caixa e que vamos começar a produzir e a gerar receita”. De fato, nenhuma delas, até agora, começou efetivamente o trabalho ao qual se dispõem a fazer. Direcionadas para as áreas de exploração de petróleo, gás e mineração, elas ainda são muito mais um conjunto de boas intenções do que um grupo com realizações concretas para mostrar. O mercado tem mostrado que isso é muito pouco para sustentar o preço de seus papeis.

“Bateu paúra no mercado. Dinheiro é covarde”, procura justificar Eike, na mesma entrevista, sobre a fuga de investidores dos papéis X. “´Tão´ vendendo tudo a preço de nada, como se o mundo fosse acabar amanhã”, compara. Ele próprio está impedido de comprar seus papéis, o que seria uma tentativa de segurar seus preços. Acontece que, como ainda não dão lucro, as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não permitem que ele faça isso. Seria muita especulação, ele próprio vender na alta e compra na baixa. “Eu seria megacomprador”, reconhece o próprio, na prática de mãos atadas.

Por que Eike acha que suas empresas perderam tanto?

À pergunta feita por Sciarretta, o empresário respondeu assim:

“Isso aconteceu seis meses atrás, quando viram que o Brasil ia ter inflação alta e que não iria entregar o que estava prometendo. Aconteceu com a China também.”

Ontem, mais de R$ 7,2 bilhões evaporaram das suas principais empresas listadas na BM&FBovespa. Na semana passada, suas companhias já tinham perdido, aproximadamente, R$ 3,3 bilhões em valor de mercado. Em pouco mais de quatro meses, as empresas do Grupo EBX – OGX (petróleo), MMX (mineração), LLX (logística), MPX (energia), OSX (estaleiros) e PORTX (portos) – viram desaparecer quase R$ 34 bilhões em valor de mercado. Essa redução é equivalente a três vezes o lucro líquido da Vale no segundo trimestre deste ano. O oitavo homem mais rico do mundo, segundo a revista financeira Forbes, ficou mais pobre nos últimos dias e demonstrou sua irritação no twitter, ao discutir sobre o seu empobrecimento: "Não perdi nada! Não vendi”, disse ele.

A resposta de Eike Batista é um padrão do mercado financeiro: o prejuízo só é consolidado quando a ação é vendida e o investidor embolsa um dinheiro menor do que foi inicialmente investido. Mas, hoje, se ele precisasse se desfazer de seu patrimônio estaria US$ 2 bilhões mais pobre. Para quem, segundo a Forbes, tinha US$ 27 bilhões no ano passado, isso faz mesmo muita diferença? O certo é que, para quem investiu nos X de suas empresas, os menos 16%, menos 14% e menos 9,7% de ontem da OGX, LLX e MMX, respectivamente, certamente dóem no coração. E no bolso.

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