Eike Batista: que decretem a falência de suas empresas!

O segundo ponto importante a destacar nos empréstimos concedidos ao grupo Eike Batista é que as garantias exigidas para os financiamentos bilionários, R$ 10,4 bilhões, são as próprias ações do mesmo grupo econômico

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

O BNDES e o Eike Batista anunciaram as renegociações das dívidas do grupo grupo econômico EBX, de curto prazo, num montante para não botar nenhum defeito, no valor de R$ 918 milhões, quase R$ 1 bilhão, que vencem nos meses de agosto e setembro deste ano.  São os empréstimos denominados de "empréstimos pontes" que as instituições financeiras fazem aos tomadores enquanto aguarda a conclusão de um empréstimo definitivo maior.
 
O assunto não seria estranho se renovações destes empréstimos pontes fossem com as empresas do porte e solidez como Votorantim, CSN ou Gerdau, por exemplo.  Acontece que o BNDES, que é banco de fomento federal, já anunciou que vai fazer as renovações com as empresas do grupo do Eike Batista, sabidamente em estado falimentar.  Prorrogar para manter as empresas do Eike Batista em estado de adimplência perante o sistema bancário, esperando socorro dos presidentes Lula e Dilma, deve ser o objetivo.  
 
Leiam as notícias da Folha e na sequência os meus comentários.

O BNDES aceitou renegociar com o empresário Eike Batista parte das dívidas de suas empresas com o banco estatal de fomento. Uma parcela de R$ 400 milhões referentes a um empréstimo que irá vencer em 15 de agosto será possivelmente prorrogada. Fonte: Folha.

Segundo a OSX, a "rotina da gestão financeira da companhia inclui o equacionamento de dívidas de curto prazo, cujo cronograma de vencimentos vem sendo quitado ou reescalonado", numa negociação que envolve o BNDES e outros bancos. Fonte: Folha.

A LLX está em negociações avançadas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ganhar mais prazo em um empréstimo-ponte de R$ 518 milhões que vence em setembro, informou a empresa nesta sexta-feira (19). Fonte: Folha.

Em 15 de julho, o banco de fomento afirmou que "termos dos contratos entre as companhias de [empresário Eike] Batista não são de maneira nenhuma diferentes da prática comum do BNDES".  Fonte: Folha.

Comentário.

Imagine se esta situação descrita estivesse acontecendo com qualquer outra empresa brasileira.  Certamente, no estado de saúde que está o grupo, o BNDES não daria a prorrogação dos empréstimos.  Deixaria correr e quando da inadimplência executaria as garantias oferecidas.  Nos bons tempos do BNDES, na época de gestão séria, isto que viria a acontecer aos grupos do Eike Batista e também com o grupo dos empresários Joesley e Wesley Batistas. 
 
Primeiro de tudo. Os empréstimos que o BNDES alega ser uma operação normal, não são.  O BNDES é banco de fomento e de desenvolvimento do País, até aí, tudo bem.  Acontece que o BNDES financiou projetos no valor expressivo, para o mesmo grupo econômico, num montante de R$ 10,4 bilhões, em cima de projetos castelos de papel.  O BNDES financiou projetos do Eike Batista em diversos setores, sem que as empresas tivessem experiências anteriores no setor para qualquer uma das atividades contemplado com os financiamentos.  Aliás, numa operação inédita, o BNDES financiou empresas "zero quilômetro", que não tinham nenhum faturamento.  Não tinha e não tem.
 
O segundo ponto importante a destacar nos empréstimos concedidos ao grupo Eike Batista é que as garantias exigidas para os financiamentos bilionários, R$ 10,4 bilhões, são as próprias ações do mesmo grupo econômico.  É coisa inédita isto. Assim, até eu quero tomar R$ 10 bilhões, emprestado! Que conversa fiada isso! Conversa de estelionatários!  Conversa de gângsters! 

As tais garantias de fianças bancárias alegadas pelo BNDES e Eike Batista, todo mundo sabe que são discutíveis.  Quem as emitiu, certamente, se inadimplente o grupo Eike Batista, não vai honrar, baseado na negligência de análise do próprio BNDES.  Enfim, as fianças bancárias vão para o lixo.  As ações do mesmo grupo que estão a garantir os empréstimos não estão valendo nada, por motivos óbvios.  Então, o BNDES, em termos chulos falamos que estará com bunda para fora!
 
Se, efetivamente tornar concreta a renovação dos tais empréstimos, o Luciano Coutinho do BNDES e os membros do Conselho de Administração do BNDES deverão ser processados pelo crime de "gestão temerária" e no meu entender pelo crime de "peculato", uma vez que está evidente que existe conluio dos agentes públicos na própria concessão dos empréstimos e agora para tentar salvar situação de insolvência do grupo Eike Batista por via não tão convencional.  Operação 171.
 
O processo normal nos casos como as das empresas do Eike Batista é a recuperação judicial.  A solução deverá vir do consenso entre os credores do grupo Eike Batista, dentro das regras e trâmites que a legislação exige para o caso.  A conta é salgada, vai sobrar para os contribuintes pagar a conta do Eike Batista para com o BNDES, montante de R$ 10,4 bilhões acrescidos de despesas judiciais cabíveis.  Melhor, contribuinte pagar os R$ 10,4 bilhões, do que pagar muitas vezes mais, deixando o processo de estado falimentar prolongar por período longo.
 
Solução é simples, que decrete a falência das empresas do menino Eike Batista e acabar com a lenga lenga e intermináveis justificativas injustificáveis. Vamos pagar o prejuízo, R$ 10,4 bilhões, mas queremos que prendam os responsáveis pelos empréstimos!  Que os mandantes sejam responsabilizados, seja quem for, do mais baixo ao mais alto escalão da República.  Vamos ver, onde vai parar isto.  Não aguento mais pagar conta dos bandidos! Socorro! 

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247