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Economia

"Eike é caloteiro", diz bilionário da mineração

Apontado pelo The New York Times como o gelogo do cosmos, baiano Joo Carlos Cavalcanti, que descobriu as maiores reservas do Pas,cobra na Justia R$ 22 milhes do homem mais rico do Brasil

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Marco Damiani_247 – O geólogo João Carlos Cavalcanti – dono de um patrimônio pessoal estimado em US$ 1,2 bi, 32 carros nas garagens de suas 10 casas, entre eles Ferrari, Porsche e Masserati, e dois jatinhos – está furioso e feliz, em porções rigorosamente iguais. No primeiro caso, o sentimento é dedicado ao seu ex-sócio Eike Batista, o homem mais rico do Brasil e oitavo do mundo. JC, como é conhecido, montou com Eike, em 2005, a IRX, empresa destinada a explorar uma reserva de minério de ferro em Minas Gerais. Estimou-se que ali poderia haver até 800 milhões de toneladas do mineral.

“Eu fiz a minha parte, que era descobrir onde estava o minério, quantificar seu volume e qualificar seu tipo, mas Eike não fez a dele, que era dar viabilidade comercial ao projeto”, contou o geólogo em entrevista exclusiva ao Brasil 247.

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O certificado para exploração da mina caducou e, com ele, JC alega ter perdido um investimento de R$ 22 milhões na descoberta e exploração inicial da lavra. “Eike não ativou a nossa mina porque já estava comprometido em vender a MMX para a Anglo American e não podia aparecer como concorrente de seu comprador”, avalia JC. “Ele me passou para trás, mas dessa vez mexeu com o sujeito errado”.

Em 2008, Eike vendeu a maior parte da mineradora MMX, então dona de duas grandes reservas de minério de ferro em Minas, para a britânica Anglo American, por US$ 6,6 bilhões. “Ele enganou os gringos. Anunciou que as minas tinham 500 milhões de toneladas de minério de ferro, mas já sabe que o volume total não vai passar de 200 milhões de toneladas”, calcula JC. “Isso é insuficiente para viabilizar um investimento de classe internacional, como os ingleses fizeram. Acho que eles se arrependeram”. Além da polêmica sobre o volume, outro aspecto do negócio entre a MMX e a Anglo indica que a sociedade tem problemas: o minerioduto. Para carregar o minério de ferro do interior do Piauí para o porto mais próximo, a Anglo American descobriu no caminho 1,6 mil propriedades privadas, enquanto Eike vendera a ideia de uma rota tranqüila até o oceano. Essa profusão de proprietários tem causado toda sorte de problemas para a instalação do minerioduto, entre dificuldades de obtenção de licenças ambientais e autorizações de uso do solo. Como resultado, a gigante inglesa está com problemas para honrar grandes contratos de venda de minério para clientes no mundo todo, o maior deles no emirado árabe do Bahrein, com a Gulf Industrial Investiments Co. “O sonho do Eike é o pesadelo dos outros”, diverte-se o geólogo.

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Filho de pai operário de estrada de ferro e mãe dona de casa, JC nasceu pobre em Brotas, no interior da Bahia, mas aos 26 anos já tinha feito seu primeiro milhão de dólares como geólogo. “Dormi na cama dos meus pais, entre eles, até os 16 anos de idade, de medo, porque sempre vi e ouvi espíritos, vozes, passos, assombrações”, conta. “Hoje, o invisível me interessa muito mais do que o visível”. Espírita que psicografa mensagens vindas de outros planos de vida, homem que medita três horas a cada dia, ex-monge beneditino, JC, que não bebe álcool e não fuma, gosta de falar o que pensa, sem freios. “Meu pai era humilde, o pai de Eike era ministro, mas hoje eu sou geólogo e ele não é formado em nada. Eu pago as minhas contas, ele não. Eu faço amigos, ele pratica bulliyng contra seus executivos. Meus projetos se viabilizam, mas os dele ficam só no IPO (abertura de capital em bolsa). Eike é o rei do IPO, um criador de bolhas”. Recentemente, eles se encontraram no restaurante do empresário, no Rio, o Mr. Lamb. “Eike, me pague o que você deve”, disse JC. “Você já é rico, não precisa disso”, devolveu o anfitrião, na versão do geólogo.

Aos 62 anos, JC exibe um currículo que inclui a descoberta de 13 grandes reservas minerais no subsolo do Brasil. Níquel, cobre, calcário, minério de ferro, dolomita e ouro, em grandes quantidades, JC descobriu. “A legislação de exploração e uso do subsolo no Brasil é bastante democrática”, diz ele. “Qualquer mendigo com 590 reais pode entrar no negócio”, completa, referindo-se ao valor da taxa a ser paga ao governo para requerer a exploração do subsolo. A concessão para a pesquisa dura três anos. Depois desse período, a exploração comercial tem de começar, sob pena da expiração da licença.

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É o próprio geólogo quem faz as principais buscas por novas minas. JC tem uma equipe de mais de 20 geólogos na sua empresa World Mineral Resoucers, usa aviões para o levantamento geofísico das áreas em vista e trabalha sobre imagens de satélite, mas não abre mão de ir a campo. “A paleta, um martelo, bússola, cavalo e jegue são as minhas ferramentas principais”, diz ele. “Não abro mão de explorar pessoalmente o mato para descobrir novas riquezas”. No momento, três das minas que ele descobriu começam a entrar em processo de produção. Na Bahia, onde é sócio de um grupo indiano, ligado à família Mittal, na empresa Bahia Mineração, uma mina capaz de produzir 20 milhões de toneladas de ferro por ano inicia sua produção em 2012. Entre o norte de Minas Gerais e o sul da Bahia, JC está com a Votorantim Novos Negócios na exploração de outra mina, com potencial para 30 milhões de toneladas de ferro por ano. E no Piauí, em parceria com o grupo Opportunity, ele acredita que em breve será iniciada a exploração comercial de uma lavra com capacidade total de retirada de 800 milhões de toneladas de minério de ferro. “As encomendas que o mercado me faz, eu entrego; o Eike, não. Ele não gosta de cumprir o combinado”, ataca. Em seguida, mais calma, atalha: “Todos esse projetos significaram a abertura de 100 mil novos empregos, uma satisfação completa para mim”.

No modelo de negócio de JC, ele descobre as minas e, quando se assegura dos direitos sobre elas, procura um parceiro com capital suficiente para fazer a viabilização comercial. “Faço leilões privados, já tenho mercado lá fora”, afirma. “As empresas disputam entre si para ver quem será meu sócio”. De fato, ele é hoje, graças a seus feitos e a divulgação que eles alcançaram por meio de publicações como o The New York Times, que o chamou de “geólogo do cosmos”, um profissional de renome mundial. JC tem um índice de acerto dez vezes superior à média dos seus colegas, que é de 3 descobertas em cem tentativas. “Estive na Praça Vermelha, em Pequim, e se formou uma fila de gente para ter o meu autógrafo”, ilustra. “Disseram que era porque eu parecia o George Lucas, diretor de Star Wars, mas um rapaz da fila disse que todos sabiam que ali estava o ‘rei da mineração’”.

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Poder voltar a praticar mineração, aliás, é o motivo para a alegria que JC reveza com a fúria. “Eu estava preso como um bode, mas agora sou livre como um pássaro”, compara. Ao desfazer uma sociedade com o banqueiro Daniel Dantas, formada para a exploração de uma lavra de minério de ferro, ele assinou um acordo de “no compete”, pelo qual não poderia ser um concorrente do próprio Dantas. Esse arranjo durou os últimos três anos. Um acordo entre eles, porém, deixou JC livre, em dezembro de 2010, para voltar a praticar a sua geologia de resultados. Ele está esfregando as mãos. Neste momento, você pode encontrá-lo a caminho do interior da Bahia, onde vai subir no lombo de um jegue, pegar sua paleta, bater seu martelo e conversar com seus espíritos. O geólogo bilionário João Carlos Cavalcanti, provavelmente, está perto de mais uma grande descoberta. Seu desafeto Eike Batista pode ter mesmo, desta vez, mexido com o sujeito errado.

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