Eike tenta retornar à cena com clone de gado, Viagra e biomassa

Trocando projetos voltados ao petróleo e minério de ferro, o empresário Eike Batista está desenvolvendo empreendimentos para clonar gado, produzir Viagra genérico que dissolve debaixo da língua e vender biomassa para o Reino Unido

Trocando projetos voltados ao petróleo e minério de ferro, o empresário Eike Batista está desenvolvendo empreendimentos para clonar gado, produzir Viagra genérico que dissolve debaixo da língua e vender biomassa para o Reino Unido
Trocando projetos voltados ao petróleo e minério de ferro, o empresário Eike Batista está desenvolvendo empreendimentos para clonar gado, produzir Viagra genérico que dissolve debaixo da língua e vender biomassa para o Reino Unido (Foto: Gisele Federicce)

Por Bloomberg

SÃO PAULO - Enquanto espera ser julgado por "insider trading", o ex-bilionário Eike Batista está projetando sua volta. Ao invés de projetos voltados ao petróleo e minério de ferro, desta vez Batista, 59 anos, está desenvolvendo empreendimentos para clonar gado, produzir Viagra genérico que dissolve debaixo da língua e pretende vender biomassa para o Reino Unido. Tudo para ajudar em sua volta ao "topo", disse um assessor.

Este é o mais novo capítulo da saga de um dos personagens mais multifacetados do Brasil, um empreendedor em série, uma vez apelidado de "Rei Midas" pelos jornais locais, que o compararam ao monarca na mitologia grega no qual o toque transformava tudo em ouro.

Batista aproveitou um lucro de US$ 5 milhões de uma empresa de mineração quando tinha 23 anos e transformou-a em um império de US$ 34,5 bilhões em commodities, energia e logística, tudo isto para ver sua fortuna exterminada quando suas companhias perderam suas metas de produção e prazos de funcionamento. Hoje, Eike tem um prejuízo de US$ 1,6 bilhões, de acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg.

"Ele está lambendo as feridas", disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da TOV Corretora, em São Paulo. "A habilidade de Eike de arrecadar dinheiro está reduzida. Se ele quiser emplacar uma volta ele tem de encontrar algo que não dependa de alavancagem. Isto é uma coisa muito difícil de fazer."

Mesmo assim, Batista está dando a isto uma chance, disse Roberto Y. Hukai, que está agindo como um assessor das ideias de "startups" de Eike. Hukai é um consultor e professor de energia na Universidade de São Paulo, que trabalhou anteriormente na Enron América do Sul e Toyota Tsusho Corp. "A imagem dele como um empreendedor é maior do que o que ele está passando agora", disse Hukai em entrevista e São Paulo.

Lançando suas ideias Eike Batista é acusado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro de vender as ações de sua petrolífera - que está agora em recuperação judicial - ilegalmente utilizando informações privilegiadas. Ele negou as acusações.

Enquanto espera pelo julgamento em casa, Batista está lançando suas ideias para novos empreendimentos para investidores de private equity, disse Hukai. Batista negou ser entrevistado para o artigo. Seu assessor pessoal confirmou que ele está trabalhando com Hukai em "startups" e disse que todas as ideias ainda estão em fase de planejamento.

Enquanto as ideias de Eike saem do convencional e passam a ser seccionadas, suas necessidades de financiamento passam a ser mais modestas também. Batista, que levantou bilhões de dólares vendendo ações em companhias de petróleo e de commodities, está buscando agora US$ 180 milhões para um parque eólico no Rio de Janeiro e US$ 250 milhões para um projeto de exportações de biomassa de cana-de-açúcar como insumo para eletricidade do Reino Unido, disse Hukai, que receberá parte dos lucros de qualquer "startup" iniciada por Eike.

Cães clonados Luis Claudio Rubio, um parceiro da Vignis - uma companhia de biomassa brasileira que planta cana de alta fibra que pode ser transformada em pelotas e queimadas em centrais de carvão - confirmou que está em negociações com Eike para o empreendimento.  O exbilionário ainda está negociando com uma rede de igrejas para vender a elas painéis solares, declarou Hukai. Batista assinou também um memorando de entendimento com Hwang Woo Suk, um cientista da Coreia do Sul, que está planejando doar quatro cães clonados à polícia federal brasileira para serem utilizados nas Olimpíadas. Eike quer montar um laboratório para gados e outros animais raros usando a tecnologia do cientista.

Uma das ideias mais avançadas da planejada volta de Eike é um empreendimento para produzir drogas genéticas que dissolvem debaixo da língua. Eike fechou um acordo com uma farmácia de Seul que está conversando com uma private equity asiática para investir em fábricas na Argentina e no Oriente Médio, de acordo com o assessor.

Vício por ideias Batista mencionou algumas de suas novas ideias de negócios em uma entrevista ao jornal Valor Econômico, que foi publicada no dia 17 de março. "Negócios estranhos - foi tudo que sobrou a Eike", disse Malu Gaspar, editora da revista de negócios da Veja e autora do livro "Tudo ou Nada: Eike Batista e a verdadeira história do grupo x", que foi publicado em novembro. "Ele levou seu vício de vender ideias que nunca irão corresponder a nada a um novo nível."

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