Eletrobras: Mesmo com prejuízo, ações disparam

Companhia anunciou que pagará dividendos, mesmo tendo registrado o maior prejuízo trimestral de uma empresa listada em bolsa no Brasil, e um plano ambicioso de investimentos e reestruturação; os fatores motivaram a alta dos papeis

Eletrobras: Mesmo com prejuízo, ações disparam
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Por Leonardo Goy e Alberto Alerigi

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 28 Mar (Reuters) - A Eletrobras viu suas ações dispararem nesta quinta-feira, após a companhia anunciar que pagará dividendos, mesmo tendo registrado o maior prejuízo trimestral de uma empresa listada em bolsa no Brasil.

A estatal federal também anunciou um plano ambicioso de investimentos e reestruturação, incluindo redução de custos e ganhos de sinergia, para fazer frente ao impacto do programa de renovação antecipada de concessões do setor elétrico que a fez sofrer um prejuízo anual recorde 6,9 bilhões de reais em 2012.

No quarto trimestre, a Eletrobras amargou prejuízo de 10,5 bilhões de reais. Segundo a estatal, as perdas em geração com a renovação somaram 7,34 bilhões de reais, enquanto na transmissão houve perda de 3,1 bilhões. No ano, o Ebitda foi negativo em 6,17 bilhões de reais. Segundo a Eletrobras, não fossem os efeitos atípicos, o Ebitda teria sido positivo em 5,5 bilhões

Mesmo com o prejuízo, a estatal usou a reserva de lucros e o Conselho de Administração decidiu propor pagamento de juros sobre capital próprio de 867,9 milhões de reais.

Os investidores gostaram da notícia, o que fez as ações preferenciais de classe B da companhia dispararem 16,2 por cento, a 12,70 reais.

"Dentro da composição da conta patrimonial, tínhamos reserva de lucro de 18 bilhões de reais. Com os ajustes (pelas perdas com renovação das concessões), caiu para 11 bilhões, mas ainda assim temos reserva de lucro significativa e por isso decidimos pagar dividendos", disse em entrevista o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Armando Casado.

"Apesar do prejuízo enorme, apesar de todos os problemas, a Eletrobras vai remunerar seus acionistas. Isso é uma razão para a alta do papel", disse à Reuters o especialista em renda variável Rogério oliveira, da Icap Brasil.

Apesar da reação imediata do mercado, relatório do Citi Research manteve recomendação de venda para as ações, citando a expectativa de queda significativa nas receitas de 2013 e o plano de investimentos de 52 bilhões de reais para o período 2013-17, o que devem pressionar o balanço da companhia.

Para fazer frente ao resultado negativo, a estatal anunciou um novo plano de negócios que inclui reduzir em 30 por cento, ao longo de três anos, os gastos com custeio. Para isso, conta com a adesão de 4 mil a 5 mil funcionários ao plano de demissão voluntária este ano.

A empresa, porém, disse que manterá os investimentos em expansão, inclusive fora do Brasil.

Para viabilizar esses desembolsos, a empresa disse não prever contar com aportes do Tesouro Nacional, nem emitir debêntures ou aumentar o capital, mas espera ter garantias da União para captar 3 bilhões de reais em financiamentos somente neste ano, com bancos públicos, tendo nota de crédito soberana.

Segundo o diretor financeiro Armando Casado, do investimento de 52,4 bilhões de reais previstos pela empresa até 2017, cerca de 18,5 bilhões ainda não estão com o funding equacionado.

"Estamos definindo qual será a melhor forma, o que pode ser de capital próprio, o que pode ser financiamento e o que será de venda de ativos", disse a jornalistas o presidente da estatal, José da Costa Carvalho Neto.

DISTRIBUIDORAS

Em até 90 dias, a Eletrobras apresentará estudos sobre a reestruturação de seus negócios em distribuição --que acumulam prejuízos sucessivos. Várias possibilidades serão apresentadas ao governo, disse Carvalho neto. "As alternativas preveem todos os cenários. Ficar como está, buscar um sócio (privado) minoritário, buscar um sócio majoritário", disse o executivo.

Ele salientou, porém, que se as empresas ficarem com a Eletrobras, terão de estar equilibradas em 2014 e voltar a dar lucro em 2015. Ele admitiu que uma das dificuldades para solucionar a questão das distribuidoras é a falta de definição sobre a renovação das concessões.

As seis distribuidoras federalizadas que poderiam ser negociadas (Alagoas, Piauí, Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima) terão as atuais concessões vencendo entre 2015 e 2016.

(Reportagem adicional de Danielle Assalve)

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