Em 3 dias, BTG perde 4 mil investidores e R$ 8,9 bi
“Ainda não dá para dizer que é uma fuga, mas é um resgate significativo, que equivale a quase 5% do patrimônio líquido dos fundos do BTG. E vale lembrar que o BTG já estava enfrentando um ano ruim, com um resgate elevado”, disse Francisco Camargo, diretor do Fortuna; a agência de classificação de risco Moody's retirou nesta terça-feira o grau de investimento do BTG ‘devido aos desafios que a instituição enfrenta para manter a liquidez após a prisão de seu controlador’, André Esteves
247 – Nos últimos três dias, os fundos de investimentos do BTG Pactual sofreram um resgate líquido (saques acima dos aportes) de R$ 8,9 bilhões. Segundo o site Fortuna, especializado no acompanhamento do setor, foram que contabilizou ainda a saída de 4.597 investidores do banco entre quarta e sexta-feira da semana passada. No dia 25 de novembro, o CEO e sócio da instituição, André Esteves, foi preso na Lava Jato acusado de tentar atrapalhar as investigações da operação.
“Ainda não dá para dizer que é uma fuga, mas é um resgate significativo, que equivale a quase 5% do patrimônio líquido dos fundos do BTG. E vale lembrar que o BTG já estava enfrentando um ano ruim, com um resgate elevado”, disse Francisco Camargo, diretor do Fortuna, em entrevista ao Globo.
A agência de classificação de risco Moody's retirou nesta terça-feira o grau de investimento do BTG ‘devido aos desafios que a instituição enfrenta para manter a liquidez após a prisão de seu controlador’.
Os ratings do banco foram rebaixados em dois degraus, de Baa3 para Ba2 --segunda nota dentro do grau especulativo. Além disso, os ratings do banco e de suas filiais em Grand Cayman e Luxemburgo foram colocados em revisão para potencial novo rebaixamento.
A Moody's ressaltou que apesar dos esforços dos novos dirigentes da instituição para restaurar a confiança de seus clientes e contrapartes, o "banco continua exposto a pressões de liquidez se esses esforços não forem efetivos".
"Em qualquer caso, o BTG deverá enfrentar um custo mais elevado de financiamento, que vai pressionar a sua capacidade de gerar altos níveis de rentabilidade que foram importantes na construção de seu capital", disse a Moody's.