Espanha rebaixada. E o mundo treme

Moody's empurra rating da Espanha para baixo e coloca um ponto de interrogao na capacidade do pas pagar suas dvidas. As bolsas de todo o mundo caem

Ao mesmo tempo em que se orgulha de ter “o melhor time do mundo” na atualidade, o Barcelona, a Espanha amarga, na economia, a lanterninha no ranking de boa vontade entre os investidores. A agência de classificação de risco Moody's deu nesta manhã uma demonstração dos temores que cercam a economia espanhola, ao rebaixar a nota da dívida do governo do país de Aa1 para Aa2, com perspectiva negativa. A decisão, anunciada hoje, provocou quedas acentuadas no valor dos títulos de dívida da Europa e na cotação do euro na manhã desta quinta-feira. A notícia despertou nos mercados financeiros europeus a preocupação de que os países altamente endividados da zona do euro levem a região de volta para uma nova crise da dívida. Às 13 horas, a bolsa de Madrid caía mais de 1,2% - e provocava reflexos em outros pregões do mundo. O Ibovespa apresentava queda de quase 1% e a bolsa de Nova York recuava 151 pontos e ficava em 8228 pontos.

Desde o segundo semestre de 2008, quando a crise no subprime estourou, a Espanha tem sido alvo de preocupações devido à alta dependência de sua economia em relação ao setor imobiliário. Os bancos e as “cajas”, instituições financeiras de crédito, viveram altamente alavancadas nos últimos anos em função do grande volume de financiamentos imobiliários. Para piorar, o índice de desemprego no país, ao redor de 20%, é o maior da Europa.

Os títulos do governo espanhol se desvalorizaram junto com os de outros governos europeus com situação fiscal debilitada, incluindo Portugal e Irlanda. O valor dos títulos alemães e britânicos, considerados "portos seguros", subiram na medida em que os investidores saíam dos títulos de alto rendimento, mas arriscados, emitidos pelos governos da periferia da zona do euro. Os custos do seguro da dívida europeia para países e empresas ficaram mais altos no começo dos negócios hoje.

A Moody's alertou que pode haver novos rebaixamentos na classificação da dívida da Espanha, uma vez que os custos da reestruturação dos bancos e a lentidão do crescimento da economia poderão limitar a capacidade do governo de melhorar a situação financeira do país. A agência disse que o rebaixamento refletiu os elevados custos da reestruturação do sistema bancário espanhol, que levarão a um aumento na taxa de endividamento do setor público. A Moody's acrescentou que as finanças do governo continuam com tendência de piora.

A agência citou ainda as seguidas preocupações com a capacidade de o governo espanhol gerar melhorias estruturais e sustentáveis nas finanças públicas, por causa do controle limitado sobre as contas dos governos regionais e da expectativa de baixo crescimento econômico. A Moody's advertiu que novos rebaixamentos poderão ocorrer se o endividamento público aumentar mais rapidamente que o esperado e se o país não cumprir as metas fiscais de 2011. A Moody's garantiu, porém, que a sustentabilidade da dívida do país não está ameaçada e elogiou os esforços do governo espanhol para resolver as questões fiscais.

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