Espectro de Madoff volta a assustar bancos brasileiros

Depois do Ita, agora o Safra que sofre processo para devolver perdas de US$ 111,7 milhes; Santander j pagou caropara fazer acordos com prejudicados

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Marco Damiani, 247, com informações da Agência Estado _ O banqueiro Bernard Madoff está encarcerado nos Estados Unidos, condenado a 150 de prisão, mas o espectro das fraudes financeiras que ele praticou ainda vive solto, assombrando, neste momento, alguns dos mais imponentes bancos brasileiros. Na segunda-feira 2, o banco Itaú foi condenado na 9ª Vara do Tribunal de Justiça de São Paulo a ressarcir em R$ 176.813,14 um cliente cujo dinheiro virou pó ao ser aplicado no Fairfield Greenwich, das Ilhas Virgens Britânicas. O fundo foi um dos principais operadores do esquema fraudulento montado por Madoff, descoberto em 2008 pelas autoridades financeiras dos Estados Unidos.

Na segunda-feira 9, em Nova York, um pedido de indenização muito maior recaiu sobre o banco Safra. Em razão do prejuízo acarretado a clientes que aplicaram por meio da agência do Safra na cidade, o advogado Irving Picard está pedindo a devolução, pelo banco, de nada menos que US$ 111,7 milhões. O processo deu entrada no Tribunal de Falência e Concordatas em Manhattan, sob a justificativa de que o Safra National Bank of New York (subsidiária da casa financeira brasileira) fez, alegadamente, transferências de aplicações de clientes para vários fundos do Fairfield Greenwich Group – a mesma conexão usada pelo Itaú.

Em 2008, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apurou que também o banco Santander, por meio da sua unidade Private para a América Latina, encaminhou aplicações de clientes para fundos ligados à operação de Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq. No ano seguinte, o Santander anunciou proposta para minimizar as perdas de seus clientes, oferecendo ações do banco em valor equivalente à aplicação inicial. Esta oferta foi feita para investidores institucionais, como fundos de pensão, e envolveu pagamentos estimados em 500 milhões de euros.  

Calcula-se que Madoff tenha coordenado um esquema financeiro fraudulento que deu prejuízos de mais de US$ 75 bilhões. Deste dinheiro, acredita-se que apenas US$ 300 milhões tenham sobrado com o banqueiro, um volume insuficiente, portanto, para cobrir os prejuízos de seus aplicadores. É por isso que os advogados têm optado por acionar os bancos nos quais seus clientes fizeram as aplicações que foram parar na corrente financeira de Madoff, como única forma de reaver os recursos perdidos com a descoberta da fraude.

“Acredito que, a partir da decisão do TJ, que mostrou que a Justiça brasileira é, sim, um foro adequado para julgar esses casos, outros clientes prejudicados pelas aplicações nos fundos administrados por Madoff irão adotar o caminho da via judicial para reaver suas perdas”, disse o advogado Paulo José Iasz de Morais, que ganhou a ação contra o Itaú.

Em Nova York, o processo contra a unidade local do Safra está sendo proposta pelo advogado Irving Picard. Ele fechou um acordo, na mesma segunda 9, com os liquidantes dos fundos Fairfield Greenwich para resolver as reivindicações e procurar conjuntamente os proprietários do fundo. O Fairfield Greenwich foi o maior fundo alimentador da fraude de Madoff.

O banco Safra New York sabia ou deveria saber de inúmeras irregularidades relativas a investimentos por meio da empresa Bernard L. Madoff Investment Securities, dado o seu background e seus próprios investimentos com o executivo, segundo o processo aberto por Picard.

Como parte do acordo, os fundos Fairfield desistiram de reivindicar US$ 1 bilhão perdido por seus investidores e os dois lados concordaram em dividir as recuperações futuras a partir da alegada fraude de operadores de fundos e outros - a maioria dos recursos irá para Picard em nome das vítimas de Madoff. Na época da descoberta das fraudes, em 2008, o banco Safra informou, por assessores, que vendera a alguns clientes fundos ligados a Madoff, mas ressalvou que o fez em atenção a pedidos dos próprios clientes, empolgados com as altas taxas de retorno prometidas. O Itaú, por meio de sua assessoria, informou que não irá se pronunciar sobre o assunto.

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