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Estrela pede recuperação judicial após crise financeira

Fabricante de brinquedos afirma enfrentar juros altos, crédito restrito e avanço do entretenimento digital

Barbie
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247 - A Estrela pediu recuperação judicial em meio a dificuldades financeiras agravadas por juros altos, crédito mais restrito e mudanças nos hábitos de consumo, com maior concorrência de jogos e outras formas digitais de entretenimento. As informações são do g1.

O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (20) à Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e envolve oito empresas do Grupo Estrela, entre elas a Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras e buscam renegociar dívidas, reorganizar suas operações e evitar a falência. Durante o processo, a companhia deve apresentar um plano de reestruturação, que será submetido à análise dos credores.

Em comunicado ao mercado, a Estrela afirmou que a medida tem como objetivo reorganizar seu endividamento, preservar a continuidade das atividades, manter empregos e garantir a geração de valor para clientes, fornecedores e acionistas.

Segundo a empresa, a deterioração do cenário econômico nos últimos anos impactou a estrutura financeira do grupo. Entre os principais fatores citados estão o encarecimento do crédito, a restrição no acesso a financiamentos e a mudança no comportamento dos consumidores, que passaram a direcionar parte maior dos gastos para alternativas digitais de lazer.

A companhia informou que continuará operando normalmente enquanto tramita o processo de recuperação judicial. Pela legislação, a administração permanece à frente das atividades da empresa, enquanto o plano de recuperação é elaborado e negociado com os credores.

A Estrela também afirmou que apresentará futuramente um Plano de Recuperação Judicial. O documento deverá detalhar as medidas pretendidas para reestruturar as dívidas e viabilizar a continuidade das operações do grupo.

Fundada em 1937, a Estrela é uma das marcas mais tradicionais do mercado brasileiro de brinquedos. A empresa começou como uma pequena fábrica de bonecas de pano e carrinhos de madeira e, ao longo das décadas, tornou-se referência nacional no setor.

A trajetória da companhia está ligada a produtos que marcaram diferentes gerações no Brasil. Entre os brinquedos mais conhecidos lançados ou comercializados pela marca estão Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius, Susi, Comandos em Ação e Super Massa.

Nos anos 1940, a empresa lançou o Banco Imobiliário, um dos jogos de tabuleiro mais populares do país. Em 1944, a Estrela também se tornou uma das primeiras companhias brasileiras a abrir capital na bolsa.

Ao longo das décadas seguintes, a fabricante ampliou sua presença no mercado com bonecas, brinquedos eletrônicos, carrinhos de controle remoto e jogos que acompanharam transformações culturais e tendências do entretenimento infantil.

Um dos momentos mais importantes da história recente da empresa ocorreu no fim dos anos 1990, quando foi encerrada a parceria com a Mattel. Por cerca de 30 anos, a Estrela produziu e vendeu a boneca Barbie no Brasil. Depois do fim do acordo, a companhia relançou a boneca Susi, que estava fora do mercado havia mais de uma década, em uma tentativa de recuperar espaço entre os consumidores.

A fabricante também enfrenta há anos uma disputa judicial com a americana Hasbro. A multinacional cobra royalties relacionados à venda de aproximadamente 20 brinquedos no Brasil, incluindo o Banco Imobiliário.

Atualmente, a Estrela mantém operações industriais em São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, além de um escritório central na capital paulista. Apesar da força histórica da marca, a empresa passou a enfrentar maior pressão em um mercado transformado pelo avanço dos jogos digitais, pelo entretenimento online e pela mudança nos hábitos de consumo das crianças.

O pedido de recuperação judicial marca uma nova etapa na tentativa da companhia de reorganizar sua situação financeira e preservar suas atividades em um ambiente de concorrência mais intensa e crédito mais caro.