Falta inovação no Brasil

O governo brasileiro poderia conceder incentivos ao invés de dificultar a entrada de empresários no País. A burocracia é imensa, os impostos alucinantes e a morosidade da máquina governamental fatídica

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Recentemente, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) e o Instituto Insead publicaram o ranking da inovação. Neste ano, o Brasil ficou no 58º lugar dos países mais inovadores do mundo, atrás de Portugal, África do Sul, Romênia, Sérvia e Bulgária. Em relação a 2011, o País despencou nove posições. O título de campeão no quesito 'introdução de novidades' foi para a Suíça. O segundo lugar ficou com a Suécia e a medalha de bronze para Cingapura. Para nossa infelicidade, a pesquisa aponta ainda que o Brasil foi o que mais caiu no ranking entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). E, não podemos esquecer que o Brasil, bem como a America Latina, são países emergentes, em contra partida tem-se a Europa falida e os Estados Unidos a beira do caos. Mesmo com este cenário econômico, os empresários do exterior permanecem relutantes em investir no Brasil. Ora, deveríamos estar recebendo inúmeros investimentos, dada a potencialidade do mercado brasileiro, mas não é o que está ocorrendo. Os europeus preferem minguar em seus países falidos a investir no Brasil.

O que precisamos fazer para reverter esse cenário? O governo brasileiro poderia conceder incentivos ao invés de dificultar a entrada destes empresários. A burocracia é imensa, os impostos alucinantes e a morosidade da máquina governamental é fatídica. Mas podemos melhorar, podemos mudar este cenário. Como especialista em propriedade industrial há mais de 26 anos, me sinto na obrigação de ressaltar que as principais barreiras que as pessoas jurídicas e os inventores enfrentam em terras brasileiras são: as precárias condições para investir em ciência e, principalmente, a má qualidade do ensino superior. Não há o porquê de um profissional, com mestrado, cursos de doutorado permanecer em situação acadêmica e em pesquisas, com salários não correspondentes. O pesquisador dificilmente está nas empresas, e sim, nas universidades, nas ilusórias incubadoras. Há necessidade de investir no aprimoramento do estudante lhe dando condições para tal. De acordo com um levantamento do Governo Federal em novembro do ano passado, que foi elaborado utilizando como base o Índice Geral de Cursos (IGC), o qual considera o desempenho dos alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e quesitos de qualidade do corpo docente, 226 instituições de ensino superior apresentaram péssima qualidade pelo quarto ano consecutivo.

Os números são alarmantes e inúmeros fatores podem ser levados em conta neste ambiente. Entre eles, a má formação do professor universitário, o alto número de universidades e faculdades, que cresceu assustadoramente nos últimos anos e têm o único objetivo de obter cada vez mais e mais lucros, e o próprio aluno, que ingressa na faculdade sem a base do ensino médio. Resultado: esses profissionais vão para as empresas, as quais terão todo seu potencial afetado por desconhecimento de leis e programa de incentivo, sem preparo algum de inovar, de agregar valor ao seu produto ou serviço.

Muitas empresas também têm a sua parcela de culpa na situação, uma vez que preferem não investir com pesquisa e desenvolvimento, preferindo redirecionar seu investimento em outros setores menos complexos da empresa.  É preciso cortar o mal pela raiz, corrigindo os obstáculos institucionais para fomentar a inovação, essencial para que um empreendedor deixe a concorrência para trás e lidere cada vez mais o mercado no qual atua, inovar, ser diferente é o único caminho para a lucratividade.

Hoje a maioria das empresas brasileiras não tem, em sua estratégia empresarial, direção alguma a respeito de inovação. Afirmo, com precisão, que é extremamente preocupante a posição do Brasil no que diz respeito 'ambiente para negócios'. Por esse motivo, é necessário criar uma cultura para a inovação, fazendo com que o empresário enxergue valor na inovação. Ao inovar, e respeitando a propriedade intelectual de terceiros, as empresas têm acesso a novos mercados, garantem a possibilidade de aumentar suas receitas e são capazes de gerar vantagens competitivas, a médio e a longo prazo. Inovar é só uma questão de visão. A inovação é o fator chave para a qualidade das empresas e o desenvolvimento tecnológico do País.

Maria Isabel Montañes é diretora da Cone Sul Assessoria Empresarial e especialista em marcas e patentes há 26 anos

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