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FUP após decisão do Supremo: 'o Brasil teve um prejuízo incalculável por causa da Lava Jato'

'A Lava Jato abalou a estrutura de vários setores no País', afirmou o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros, Deyvid Bacelar

Deyvid Bacelar (à esq.). e Sergio Moro (Foto: Reprodução | Reuters)

247 - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) disse na manhã desta quarta-feira (6) demonstrou apoio à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, ao anular as provas obtidas por meio do acordo de leniência da construtora Odebrecht - o juiz também classificou como armação a prisão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atual senador pelo União Brasil-PR, Sergio Moro, ex-juiz da Operação Lava Jato, aprovou o acordo feito com integrantes da empresa em dezembro de 2016.

“O prejuízo para o país foi incalculável! Foram milhões de pessoas desempregadas, famílias destruídas. Ao bloquear atividades de fornecedores e suspender obras públicas, a Lava Jato abalou a estrutura de vários setores no país. O desemprego em massa atingiu fortemente o varejo, por exemplo”, afirmou o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar.

O dirigente lembra que o impacto da redução dos investimentos dos setores de petróleo e gás e da construção civil sobre os demais setores funcionou como um efeito cascata na economia. "Mas a trama foi desmascarada e os responsáveis estão sendo investigados", acrescentou. Responsável por 4,4 milhões de empregos perdidos, principalmente nos setores de petróleo e gás, e construção civil, a Lava Jato “forjou provas, prendeu inocentes, destruiu empresas”, como reconheceu Toffoli em sua decisão.

Estudo do Dieese, feito em 2021, revela que a Lava Jato custou 3,6% do PIB; deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões de impostos e R$ 20,3 bilhões em contribuições sobre a folha, além de ter reduzido a massa salarial do país em R$ 85,8 bilhões; afetou os setores envolvidos diretamente (petróleo e gás e construção civil), mas também uma gama importante de outros segmentos (devido aos impactos indiretos e ao efeito renda). A operação teve impacto político e também no desenvolvimento de setores econômicos estratégicos para o país.

Bacelar destaca o fato de a extrema-direita, historicamente, utilizar-se do discurso ‘anticorrupção’ para manipular a opinião pública. "É lógico que ninguém é a favor da corrupção. Mas eles se utilizam desse discurso sem aprofundar o debate sobre suas reais intenções, sobre seus projetos. Estamos vendo diversas provas de que Bolsonaro é corrupto e onde estão as pessoas que enchem a boca para falar de corrupção?", questionou. "Contra o presidente Lula nunca houve provas, a prisão dele foi política, foi um projeto de poder, em conluio com setores do judiciário. A cada dia que passa esse fato fica mais evidente".