Genebra, a vistosa vitrine dos carros

Apesar da estagnao dos mercados na Europa, Salo do automvel de Genebra se destaca como a mostra mais importante de carros no mundo no primeiro semestre de 2011

Os números ainda foram fechados, mas a organização calcula que nada menos do que 700 mil pessoas passaram pelo salão internacional de Genebra, na Suíça, que terminou neste domingo, dia 13. Ele sempre foi considerado o patinho feio dos salões do automóvel. Genebra não tem os show das coletivas como os americanos, nem o charme da mostra francesa. Tão pouco a tecnologia do salão de Tóquio e muito menos a grandiosidade dos 14 pavilhões do salão na Alemanha. Sem fábrica de carros na Suíça, o salão de Genebra sempre foi coadjuvante e via de longe os sucessos dos seus concorrentes ancorado sempre pelas montadoras dos países sede.

Mas ai veio a crise internacional e por pouco ela não acabou com o salão de Detroit. Tóquio está cada vez mais enfraquecido frente à forte concorrência do salão de Xangai. Paris e Frankfurt continuam firmes, mas a mostra só acontece a cada dois anos. Então, foi assim, sem muito esforço que Genebra foi conquistando seu espaço no mundo automobilístico. Antes não ter fábrica de carros era um problema. Hoje é que o que impulsiona o crescimento deste salão. Encravado entre a Alemanha, França e Itália, a mostra suíça é considerada neutra e diversas montadoras escolhem justamente Genebra para apresentar ao mundo suas novidades.

Realizado há mais de 100 anos, é a segunda mais antiga mostra de carros do planeta. Sua primeira edição aconteceu em 1905 e de lá pra cá, claro, muita coisa mudou. Naquela época alguns carros mostrados aqui tinham motores a vapor e 20 cavalos de potência já eram o suficiente e chamavam a atenção dos apaixonados por aquela invenção entranha e fascinante.

Hoje o Salão de Genebra, que é realizado no centro de convenções Palexpo (Palais des Expositions et dês Congrès), numa área de mais de 126 mil metros quadrados, viu o otimismo voltar aos estandes das marcas mundiais de carros. Com a crise financeira que atingiu a Europa, as marcas deste continente estão fazendo de tudo para exportar seus produtos. E e justamente por isso que uma mostra como essa e tão importante. Não existe vitrine melhor para as montadoras exporem seus produtos. Aqui estão cerca de 11 mil jornalistas de todos os continentes que vão repercutir as grandes novidades pelo mundo a afora. E que novidades. Neste ano, os 260 estandes mostraram nada mais do que 170 lançamentos.

Até o Brasil que antes era praticamente ignorado pelas montadoras, hoje recebe uma atenção especial por parte delas e muitos produtos mostrados aqui irão desembarcar em breve em nosso País. Carros ecológicos, conceitos e de linha. Tinha de tudo em Genebra. A Fiat apresentou a Freemont, primeiro fruto desenvolvido em parceria com o grupo Chrysler. Na Audi o destaque foi o A3 Concept que antecipa as linhas do nova família de carros da marca que será lançada provavelmente em 2012. Já a BMW mostrou a nova geração do M5, feita sobre a plataforma da nova geração da Série 5, lançada em 2010. A Mercedes-Benz mostrou o novo Classe C. Já a Volkswagen apresentou o Tiguan reestilizado. A GM mostrou a terceira geração da Zafira. A Cadillac veio com o XTS Platinum Concept, uma prévia de como serão os sedãs da marca no futuro. A Hyundai focou seu estande no i40 station wagon e a parceira Kia mostrou nova geração do Picanto, que ficou muito mais bonito e atraente do que a versão anterior. A francesa Peugeot mostrou uma pequena reestilização do 30. A legendária Ferrari quebrou uma grande barreira interna e mostrou o FF, primeiro modelo com tração integral da história da marca e com espaço para quatro ocupantes. Apesar de virar um carro de família, a Ferrari vem 650 cavalos de potência e 69,6 kgfm de torque produzidos pelo V12 de 6.5 litros. A FF será o carro topo de linha dentro da gama da Ferrari e irá substituir a 612 Scaglietti. A Lamborghini chega com o tão esperado Aventador, substituto do bem sucedido Murcielago. O novo modelo é equipado com um propulsor de 12 cilindros em "V" de 6.5 litros, mas a Lamborgini já anunciou que ele é capaz de gerar 700 cv.

Esses lançamentos mostram que realmente as montadoras já deixaram a crise para trás e voltaram a investir em novos produtos. O melhor para o publico brasileiro e que, com exceção da Cadillac (que não tem operação no país), todos os carros produzidos em serie irão desembarcar no Brasil nos próximos meses. E o Brasil cada vez inserido no mercado globalizado.

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