Goldman: petróleo a US$ 140 no ano que vem

Depois de prever a queda no preo da commodity, banco refaz as contas e projeta alta at 2012. Seus investimentos podem ser afetados

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Por Márcio Kroehn_247 – Tenha cuidado: seus investimentos podem mudar de rumo com as previsões do Goldman Sachs. Segundo o banco americano, o barril do petróleo chegará a US$ 140 no ano que vem. Da última vez que o óleo negro atingiu esse valor foi no primeiro semestre de 2008. O problema dessa estimativa é que, há algumas semanas, a mesma instituição, com a mesma equipe de analistas, previa queda de US$ 20 nos preços assim que os especuladores deixassem de interferir nas negociações do mercado. Em menos de um mês, duas previsões contraditórias. E o confuso leitor vai perguntar: ora, vai cair ou vai subir?

Nem o Goldman, pelo jeito, sabe. Na estimativa mais recente, o banco diz que a alta servirá para conter a forte demanda mundial. Segundo eles, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ainda estaria com muito estoque, que deverá baixar até o final de 2011, quando os preços fecharão na casa dos US$ 120. Na quarta-feira 25, o barril foi cotado a US$ 114. O problema é que esse custo do petróleo pode atingir diretamente o seu bolso: nos postos de combustível, com o repasse para a gasolina e o diesel, e nos seus investimentos, que ficariam vulneráveis à definição sobre o melhor rendimento (renda fixa ou variável). Isso porque essa nova revisão do Goldman tem o poder de mexer com as carteiras mundiais dos investidores. Com os números rodando nas calculadoras, as bolsas de valores podem ser afetadas em sua valorização, os bancos recalculam os juros dos seus empréstimos e os governos projetam a possível alta da inflação.

O respeito ao Goldman vem de suas ousadas e agressivas previsões para os preços das commodities. O banco ganhou prestígio em 2005, quando falou em petróleo a US$ 100. Na época, o preço estava na casa dos US$ 50. Quando o óleo negro quebrou a barreira centenária, o Goldman foi colocado em um plano superior da futurologia. Era como se qualquer projeção fosse a realidade nua e crua. Mas é bom lembrar que essas estimativas também são apostas de especuladores ávidos para ganhar muito dinheiro no mercado. A disputa é com seus pares, como JP Morgan e Morgan Stanley. O primeiro calcula o petróleo a US$ 130 já no segundo semestre deste ano. O segundo projeta esse mesmo preço para 2012. Os interesses e as especulações fazem parte desse jogo. Para o Goldman dizer que os especuladores estavam mexendo com o valor real do petróleo há um mês é porque os seus negócios deviam estar no lado contrário dos ganhos.

Mas a futurologia também cobra um alto preço. O Goldman chegou a prever que o petróleo chegaria a US$ 200 em um período de seis meses a dois anos, em 2008. O preço estava próximo dos US$ 150. Do alto da sua mais cruel previsão, a crise estourou nos mercados mundiais e o petróleo despencou 60%, para cerca de US$ 40, no final daquele ano. A previsão do Goldman perdeu-se no ralo. Era apenas uma aposta que não se concretizou. Como essa pode ser, novamente, uma furada.

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