Governo mais rico. Brasileiro mais endividado

Arrecadao de impostos bate recorde em fevereiro. E 65% das famlias se declaram endividadas. Qual a relao entre os dois nmeros?



Enquanto a Receita Federal divulga mais um recorde de arrecadação mensal (o terceiro consecutivo), as famílias brasileiras se declaram mais endividadas ainda. Uma coisa tem relação com a outra? É bem possível. Afinal, quanto mais impostos pagam, os brasileiros têm menos capacidade de pagar à vista na hora de comprar produtos e serviços. A arrecadação de impostos e contribuições federais em fevereiro foi recorde para o mês e totalizou R$ 64,1 bilhões. O valor representa um crescimento real pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 9,84% em relação a fevereiro de 2010. O resultado do mês passado, no entanto, é 30,1% menor que a arrecadação de janeiro, que somou R$ 91 bilhões.

A arrecadação em fevereiro ficou dentro das previsões de 14 instituições consultadas pela Agência Estado, que apontaram um valor de R$ 60,300 bilhões a R$ 70,5 bilhões, intervalo que gerou uma mediana de R$ 63,6 bilhões. No acumulado do primeiro bimestre de 2011, a arrecadação totalizou R$ 155,2 bilhões, com alta real de 13,01% em relação ao primeiro bimestre de 2010.

As receitas administradas pela Secretaria da Receita Federal somaram R$ 62,810 bilhões em fevereiro, registrando um crescimento de 10,5% ante fevereiro de 2010. No acumulado do primeiro bimestre deste ano, as receitas administradas somaram R$ 149,9 bilhões, alta de 14,03% em relação ao primeiro bimestre do ano passado.

Já uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela que o número de famílias endividadas recuou de fevereiro para março. A pesquisa "Endividamento e Inadimplência do Consumidor" ouviu 17.800 consumidores em todo o País e revelou que o percentual de famílias que se classificam como endividadas passou de 65,3% em fevereiro para 64,8% em março. No entanto, o índice de famílias endividadas em março deste ano é maior que o apurado no mesmo mês do ano passado, quando o índice atingiu 63%.

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Segundo a CNC, o comprometimento da renda com gastos extras no início de ano conduziu a uma elevação no nível de endividamento das famílias nos primeiros dois meses de 2011. Ainda segundo a mesma pesquisa, manteve-se estável em 23,4% o porcentual de famílias endividadas que informaram estar com débitos em atraso, de fevereiro para março. Este percentual é menor que o registrado em março do ano passado, de 27,3%.

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Porém, de fevereiro para março, subiu de 7,7% para 8,4% o percentual de famílias endividadas que informaram não ter condições de pagar seus débitos. Para a confederação, isso pode ter sido influenciado pelo atual mercado de crédito, que continua a apresentar condições menos favoráveis, com taxas de juros maiores e prazos mais curtos.

No entanto, a parcela de famílias sem condições de pagar suas dívidas em março deste ano ainda é menor que o apurado em março do ano passado (8,7%). Do total de famílias endividadas, 71,6% apontaram o cartão de crédito como modalidade principal. Na sequência parecem os carnês (21,9%) e o financiamento de carros (10,6%).

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Consumo

A intenção de consumo das famílias brasileiras desacelerou em março, conforme a pesquisa "Intenção de Consumo das Famílias", elaborada a partir de 18 mil questionários apurados em todo o País. Segundo a CNC, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado a partir das respostas dos entrevistados, caiu 1,7% em março ante fevereiro.

Na comparação com março de 2010, o ICF ainda é positivo, com alta de 0,9%. Embora a taxa seja superior a de fevereiro deste ano (0,7%), na comparação com igual mês do ano anterior a CNC informou que as taxas de elevação de fevereiro e de março do ICF são muito mais baixas do que a apurada para o indicador em janeiro de 2011, quando subiu 2,8% na comparação com janeiro de 2010. Para a entidade, estes dados reforçam a ideia de uma tendência de desaceleração no consumo das famílias brasileiras em março.

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Segundo a confederação, as respostas foram influenciadas por uma piora, em março, nas avaliações das famílias brasileiras quanto ao emprego e à renda.

Já o interesse do consumidor por compras de bens duráveis, como automóveis e geladeiras, em março é o pior em 14 meses. O dado foi divulgado pelo economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fábio Bentes. De acordo com ele, a queda de 6,9% em março ante fevereiro no indicador que mede o desejo do consumidor em compras de duráveis é a mais forte desde janeiro de 2010, neste tipo de comparação.

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