Governo quer acelerar acordo Mercosul-UE no Congresso, afirma Alckmin
Vice-presidente diz que tratado é exemplo em tempos de instabilidade e que avanço no Brasil pode ajudar Comissão Europeia a adotar vigência provisória
247 - O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta quinta-feira (22) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia é um exemplo para o mundo em um cenário internacional de instabilidade. Segundo ele, o governo federal pretende acelerar a tramitação do tratado no Congresso Nacional para contribuir com o avanço do processo do lado europeu. As declarações foram dadas em entrevista publicada originalmente pela Folha de S.Paulo.
Alckmin classificou como um “percalço” o congelamento e a revisão judicial determinados pela União Europeia na última quarta-feira e disse que o entrave pode ser superado. De acordo com o vice-presidente, o objetivo do governo brasileiro é que a Comissão Europeia determine a vigência provisória do acordo enquanto a discussão jurídica segue em curso.
“A decisão do governo é de acelerar o processo. O presidente [Lula] deve encaminhar ao Congresso a proposta para adesão ao acordo e isso ajudará a Comissão Europeia para que haja uma vigência provisória enquanto há uma discussão na área judicial”, afirmou Alckmin.
Como informou a Folha, antes mesmo da decisão do Parlamento Europeu pela revisão jurídica, o governo Lula já havia decidido priorizar a aprovação do tratado no Congresso, como forma de pressionar os europeus. Um encontro no Palácio do Planalto, na última terça-feira (20), definiu o fluxo de trabalho e mobilizou os órgãos envolvidos para acelerar os trâmites.
Segundo um interlocutor do governo, a expectativa é que nas próximas semanas seja concluída a revisão do texto em português, com posterior envio à Casa Civil e, em seguida, ao Congresso Nacional para análise dos parlamentares.
Assinado no último sábado (17) por representantes do Mercosul e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o acordo cria o maior mercado de livre comércio do mundo, com 722 milhões de consumidores. Alckmin afirmou que o tratado “aproxima os povos” e destacou que, “pelo diálogo, pelo entendimento, você pode abrir mercado, fortalecer o multilateralismo, estimular investimentos recíprocos, ter ganho na sustentabilidade”.