Governo tem que definir ajustes “claramente”

Numa entrevista em que chega a cutucar sutilmente o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente do Banco Central alerta para a importância de o governo "definir claramente" o ajuste das contas públicas e fornecer um "detalhamento para a sociedade" de como isso será feito; sobre uma entrevista recente de Mantega, Tombini diz: "não li"; ele afirma que o BC trabalha para "restaurar a confiança da economia" e garante que a inflação desse ano será mais baixa que a de 2012

Governo tem que definir ajustes “claramente”
Governo tem que definir ajustes “claramente” (Foto: LIONEL BONAVENTURE)
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247 – O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, dá sutis cutucadas no ministro da Fazenda, Guido Mantega, em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo publicada neste domingo. Segundo ele, o governo tem que "definir claramente" o ajuste das contas públicas e quando definir, fornecer um detalhamento para a sociedade de como isso será feito – ou seja, como o superávit será alcançado. Sobre uma entrevista recente de Mantega, Tombini diz: "não li".

"É o governo que tem de definir isso. Nós não participamos desse processo, não cabe ao Banco Central. Agora, o que o governo definir, tem de definir claramente, dizendo como vai chegar [ao superávit] – isso é que é importante. O ajuste fiscal não é insensível ao estado da economia (...). O importante é que o governo defina, e, quando definir, forneça um detalhamento para a sociedade sobre como isso vai ser alcançado".

Tombini garante que a inflação desse ano será menor que a do ano passado (5,84%), mas não responde se ela vai bater o topo da meta, que é 6,5%. "Este ano já falei o que vamos entregar, que é uma inflação mais baixa que a do ano passado. Foi 5,84%, este ano vai ser mais baixa. A inflação acumulada em 12 meses atingiria um pico em junho, o que de fato ocorreu. Depois, começaria um processo de queda durante uns dois meses".

Ainda sobre inflação, Tombini declarou que a política de combate à inflação do BC "está mirando no médio prazo". "Precisamos entrar no ano que vem já com a inflação mais baixa e ganhar nesse processo. Temos chance de fazer isso nos próximos dez anos", disse. Em relação à economia externa, ele responde que as mudanças na economia americana são mais preocupantes que a desaceleração na China. O impacto no Brasil da mudança de política do Fed: "é o início do fim do processo de dinheiro extremamente barato".

O presidente do Banco Central afirmou que "as pesquisas recentes mostram que o investimento veio um pouco mais fraco neste terceiro bimestre", e que "agora, a recuperação à frente depende do restabelecimento, do fortalecimento da confiança. O Banco Central pode contribuir com sua parte. Ou seja: inflação menos pressionada, perspectiva de inflação menor para a frente, remover um pouco deste risco. Por outro lado, cuidar também deste momento de volatilidade (do câmbio), como estamos fazendo".

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