HOME > Economia

Guerra que pressiona o dólar também valoriza Petrobras e empurra Ibovespa para cima

JPMorgan destaca entrada de R$ 48,6 bilhões de estrangeiros na bolsa em 2026 e classifica Brasil como porto seguro entre emergentes

Tela de cotações da B3 em São Paulo - 6/7/2023 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

Reuters - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, sustentada principalmente pelo avanço da Petrobras na esteira do movimento do preço do petróleo no exterior, enquanto permanecem incertezas envolvendo a duração da guerra no Oriente Médio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,32%, a 182.509,14 pontos, após marcar 179.914,53 na mínima e 182.649,10 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$25 bilhões.

O Ibovespa disparou mais de 3% na segunda-feira, encostando em 183 mil pontos no melhor momento, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspender ataques à infraestrutura energética iraniana e citar conversas "produtivas" com o Irã.

Nesta terça-feira, o Irã lançou ondas de mísseis contra Israel segundo as forças armadas israelenses, enquanto o presidente do parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que não houve negociações.

Fontes de alto escalão em Teerã também afirmaram à Reuters que o Irã teve apenas discussões preliminares com Paquistão, Turquia e Egito sobre se havia bases para negociações com os EUA a respeito do fim da guerra

De acordo com essas fontes, a postura de negociação do Irã endureceu acentuadamente desde o início da guerra e o país exigirá concessões significativas dos EUA caso os esforços de mediação levem a conversas sérias.

Trump, porém, reforçou nesta terça-feira que os EUA estão conversando com "as pessoas certas" no Irã a fim de encerrar as hostilidades e acrescentou que os iranianos querem muito chegar a um acordo.

De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, permanece o ambiente de cautela global. "O mundo olha para o Oriente Médio e tenta entender como os EUA vão tentar resolver a questão da guerra com o Irã."

Após o tombo da véspera, o preço do petróleo voltou a subir no exterior e o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 4,55%, a US$104,49.

Em Wall Street, o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, caiu 0,37%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA avançava a 4,3896% no final da tarde, de 4,336% na véspera.

De acordo com a analista Ipek Ozkardeskaya, do Swissquote, o sentimento no mercado está totalmente dependente das notícias sobre a guerra e dos preços de energia.

"As reações são altamente emocionais: os investidores querem que a guerra termine, que a recente queda seja 'a oportunidade de compra' e querem aproveitar essa queda. Mas a incerteza permanece", afirmou em relatório a clientes.

No Brasil, o Banco Central afirmou na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que depende da incorporação de novos dados às suas análises para determinar o tamanho e a duração do ciclo de "calibração" da Selic.

O documento é referente ao encontro da semana passada, quando o BC deu início a um aguardado ciclo de corte de juros ao reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano.

Para analistas do BTG Pactual, a ata é consistente com a leitura de que o Copom deixou a porta aberta tanto para acelerar quanto para manter o ritmo de 0,25 pontos adiante, a depender da evolução do cenário geopolítico.

"A barra para uma interrupção do ciclo nos parece elevada. Assim, mantido o cenário atual, nosso 'call' é de continuidade do ciclo com corte de 0,25 p.p. na próxima reunião."

Eles ponderaram que uma redução de incerteza com impactos positivos sobre o preço do petróleo levaria a uma aceleração do ritmo para 0,50 ponto.

Estrategistas do JPMorgan chamaram a atenção para o fluxo de estrangeiros para a bolsa paulista em março, mesmo com a piora no cenário externo em meio à guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e seus desdobramentos.

Dados da B3 mostram uma entrada líquida de quase R$6,9 bilhões em março até o dia 20, ampliando o salto positivo no ano para cerca de R$48,6 bilhões.

"É realmente extraordinário o fato de o Brasil estar recebendo fluxos em um momento de aversão global ao risco", afirma relatório do banco norte-americano assinado por Emy Shayo e Cinthya Mizuguchi.

"Essa situação reforça nossa visão de que, dentro dos mercados emergentes, a América Latina é um porto seguro e, dentro da América Latina, o Brasil é o mais bem posicionado."

DESTAQUES

- PETROBRAS PN avançou 2,69%, apoiada pela alta do petróleo no exterior e acompanhada das pares menores PRIO ON, que subiu 2,53%, BRAVA ON, que fechou com elevação de 1,94% e PETRORECONCAVO ON, que terminou o pregão com ganho de 0,08%.

- ITAÚ UNIBANCO PN recuou 0,56%, com boa parte do setor devolvendo um pouco após desempenho robusto da véspera. BRADESCO PN cedeu 0,32%, BANCO DO BRASIL ON caiu 1,29% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,63%. BTG PACTUAL UNIT avançou 0,72%.

- VALE ON subiu 0,79%, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian subiu 0,61%.

- EMBRAER ON <EMBJ3.SA> caiu 1,84%, corrigindo parte do avanço da véspera, quando saltou quase 7% tendo no radar notícia de que a europeia Finnair renovará sua frota com um pedido de 18 aeronaves de corredor único E195-E2 da fabricante brasileira.

- MRV&CO subiu 1,18%, tendo no radar a aprovação pelo Conselho Curador do FGTS de mudanças no Minha Casa Minha Vida, ampliando a renda máxima de famílias elegíveis e os tetos dos valores de financiamento. CURY ON avançou 1,14%.

- AZZAS 2154 ON recuou 2,83%, também afetada pelo movimento na curva futura de juros, que afetou negativamente papéis sensíveis à economia doméstica. O amplo índice do setor de consumo na B3 fechou em baixa de 0,21%.

Artigos Relacionados