Guru de Aécio, Bacha prega abertura radical

Economista Edmar Bacha, que se assume como tucano, diz que Brasil está preso a uma armadilha de baixo crescimento e atribui isso aos altos níveis de proteção ao setor produtivo; ele diz que o Brasil é um dos países que menos importam no mundo e afirma ainda que o BNDES se transformou num gigante "balofo" e numa "desgraça", que acabou substituindo o papel do sistema financeiro tradicional; Bacha prega também o que chama de "desfazimento" da política econômica; conselheiros de Aécio defedem agenda liberal

Economista Edmar Bacha, que se assume como tucano, diz que Brasil está preso a uma armadilha de baixo crescimento e atribui isso aos altos níveis de proteção ao setor produtivo; ele diz que o Brasil é um dos países que menos importam no mundo e afirma ainda que o BNDES se transformou num gigante "balofo" e numa "desgraça", que acabou substituindo o papel do sistema financeiro tradicional; Bacha prega também o que chama de "desfazimento" da política econômica; conselheiros de Aécio defedem agenda liberal
Economista Edmar Bacha, que se assume como tucano, diz que Brasil está preso a uma armadilha de baixo crescimento e atribui isso aos altos níveis de proteção ao setor produtivo; ele diz que o Brasil é um dos países que menos importam no mundo e afirma ainda que o BNDES se transformou num gigante "balofo" e numa "desgraça", que acabou substituindo o papel do sistema financeiro tradicional; Bacha prega também o que chama de "desfazimento" da política econômica; conselheiros de Aécio defedem agenda liberal (Foto: Leonardo Attuch)
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247 - Os economistas que aconselham o presidenciável tucano Aécio Neves têm defendido uma agenda cada vez mais liberal. É o que faz, por exemplo, Edmar Bacha, que se assume como tucano e prega uma abertura radical da economia. Em entrevista aos jornalistas Vinicius Neder e Alexa Salomão, do Estado de S. Paulo (leia aqui a íntegra), ele critica a proteção ao setor industrial, retrata o BNDES como um gigante "balofo" e defende ainda o "desfazimento" da política econômica atual.
 
Bacha afirma que a alta do crescimento na era Lula foi fruto apenas da elevação dos preços internacionais. "O primeiro ponto é a constatação que estamos presos na chamada armadilha da renda média. Desde 1981, o Brasil vem tendo um crescimento medíocre. Esse processo parecia ter se alterado a partir de 2004. Porém, fica muito claro hoje que o impulso adicional que a economia teve entre 2004 e 2011 foi fruto único e exclusivo da bonança externa. A alta dos preços das commodities (matérias-primas com cotação internacional) e a enorme entrada de capital nesse período propiciaram e financiaram um extraordinário aumento da demanda interna. Como havia no começo do período uma capacidade ociosa acentuada e um desemprego alto, isso permitiu, durante esse período da bonança até 2011, que o País crescesse mais do que vinha crescendo no período anterior. Com a reversão da bonança, os preços das commodities começaram a cair e o fluxo de capital, por circunstâncias diversas, se reverteu, e voltamos aos pibinhos", diz ele.
 
Para que a economia brasileira tenha maior produtividade, ele defende abertura e concorrência com o mercado internacional. "Nisso está nosso problema. Quando comparamos o Brasil ao resto do mundo, para surpresa de muita gente, o País está em outra direção. Entre os 176 países para os quais os Banco Mundial tem dados, o Brasil é o que tem menor participação das importações no PIB - 13%. Contei isso para dois colegas da PUC-Rio num almoço e eles perguntaram: mas você tem certeza disso? Sim. O Brasil é o País mais fechado do mundo, sem considerar a Coreia do Norte, para a qual não há dados. E isso ocorre dos dois lados da balança. É assim tanto para importações quanto para exportações. O Brasil é um gigantinho em termos de PIB - é o sétimo do mundo. Mas é um anão em termos de exportações - o vigésimo quarto. Todos os outros seis que vêm antes do Brasil têm grandes PIBs e são grandes exportadores. A União Europeia, os Estados Unidos, a China, o Japão. Todos têm essas características. O Brasil é um grande que não exporta."  

Bacha defende o que chama de "Plano Real" para a indústria, que prevê até o fim da preferência a empresas nacionais nas compras governamentais e o fim da política de conteúdo nacional, como a Petrobras faz em seus navios.  "É trocar todo o aparato protecionista - tarifas, preferência por compras governamentais, política de conteúdo nacional, o crédito subsidiado e outros - por câmbio. O câmbio não é de graça. Se fosse de graça, seria inflacionário. Mas no contexto em que você está reduzindo o custo dos importados, pode se dar ao luxo de elevar o preço das exportações. Ao substituir a proteção tarifária pela proteção cambial, já se faz seleção natural. Quem se beneficia da proteção cambial são as empresas e setores mais eficientes, com maior capacidade exportadora. Não será preciso manter um aparato de microgerenciamento, como há hoje. É claro que será preciso ter mecanismos indutores. O governo vai precisar ficar atento a quais são as vantagens naturais existentes, aos rumos da tecnologia mundial, a como se defender de concorrentes comerciais, onde é possível entrar mais facilmente. Esse é um enorme papel para o Estado dentro de uma política industrial voltada à integração da economia brasileira às cadeias internacionais de valor. Isso vai substituir a atual política de adensamento produtivo."

Bacha também dispara contra o BNDES. "De repente, o BNDES virou a mãe do todos os empresários brasileiros. Abriram o Tesouro para ele fazer tudo o que queria e o BNDES se tornou esse Golias - não, Golias não, isso seria uma homenagem. Tornou-se esse gigante balofo que está aí, que, na verdade, em vez de complementar, está substituindo o mercado financeiro, inibindo o desenvolvimento financeiro do País, distorcendo a alocação de recursos, criando um orçamento paralelo que não é votado pelo Congresso, que não é incluído nas contas públicas, tornando ainda menos transparentes as contas públicas brasileiras. O BNDES virou uma desgraça". 

O economista, que é professor da PUC-RJ, prega ainda o "desfazimento" da política econômica atual e se assume como tucano militante. "Não é segredo para ninguém que sou tucano. Mas não estou na campanha. Quando o Aécio me pergunta alguma coisa, eu apenas digo o que eu acho."


 

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