HOME > Economia

Haddad diz que governo criou metas fiscais ambiciosas, mas está "tranquilo"

"Estamos tranquilos em relação ao que nós estamos propondo", garantiu o ministro da Fazenda

Fernando Haddad (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Reuters - O governo estipulou metas fiscais ambiciosas a fim de poder controlar os gastos rapidamente, mas está "tranquilo" sobre as propostas de aumento da arrecadação federal levadas ao Congresso e entende que a palavra final sobre a questão será do Legislativo, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira.

"O que nós estamos fazendo está fora do marco fiscal, que é estipular metas ambiciosas para fazer com que isso (controlar os gastos) aconteça mais rapidamente... Estamos tranquilos em relação ao que nós estamos propondo", afirmou Haddad a jornalistas após palestra no 18º Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Haddad disse ainda que o governo quer ver uma agenda no segundo semestre tão "virtuosa" quanto a da primeira metade deste ano, após a aprovação de medidas importantes pelos parlamentares, como a reforma tributária na Câmara dos Deputados e o arcabouço fiscal por ambas as Casas.

"A agenda do primeiro semestre foi espetacular para dizer o mínimo... Estamos em um diálogo permanente com as duas Casas para que a agenda do segundo semestre seja tão virtuosa quanto o primeiro semestre", disse o ministro.

Em sua palestra no fórum da FGV, Haddad defendeu que a corrosão da questão fiscal do Estado brasileiro está centrada na arrecadação e é preciso, ainda, revisitar alguns gastos, o que o Ministério do Planejamento já estaria fazendo.

Ele destacou o fato de que há mais de 6% do PIB em desonerações com resultados sociais nulos ou muito pequenos, o que chamou de "realidade absurda".

Cenário externo - Em sua fala no evento, Haddad afirmou que o Brasil está protegido do cenário externo e que o país chama cada vez mais a atenção no que se refere a atração de investimentos por conta de suas vantagens comparativas na questão ambiental.

Ele sinalizou que a demanda internacional por produtos verdes deve crescer nos próximos anos, gerando uma "janela de oportunidade" para que o Brasil preencha esse espaço, pelo fato de estar entre os poucos países que podem atender essa demanda.

"O Brasil está chamando cada vez mais atenção... O Brasil tem vantagens competitivas do ponto de vista ambiental que podem servir de base para uma neoindustrialização do país", disse.

Haddad destacou que 25 empresários norte-americanos vão se reunir nesta segunda-feira com a equipe da Fazenda em São Paulo para uma primeira reunião de trabalho no âmbito de um possível acordo de cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

Ele ainda mencionou as negociações em torno do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, afirmando que há um grande desejo dos países da Europa em concluí-lo, mas que o bloco sul-americano está em risco devido ao potencial resultado das eleições presidenciais na Argentina, em outubro.

"A própria Europa está com dificuldades de enxergar seu futuro sem uma parceria com o Mercosul, que está em risco, sobretudo pelos eventos próximos que podem ocorrer no nosso principal parceiro comercial. Não se sabe o alcance da narrativa do candidato que lidera as pesquisas na Argentina", disse.

Haddad defendeu o acordo com a UE como um "antídoto" contra medidas que possam "desorganizar" o bloco sul-americano.

O ultra liberal Javier Milei, que já chamou o Mercosul de "fracasso comercial", lidera as intenções de votos em pesquisas de opinião sobre o pleito argentino.