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Ibovespa fecha em queda e dólar encosta em R$ 5,58

O Ibovespa terminou o dia em queda de 1,6%, aos 95.734 pontos e volume financeiro negociado de R$ 25,181 bilhões. Foi o menor patamar de fechamento do índice desde 30 de junho. O dólar comercial registrou ganhos de 2,18%

Ibovespa fecha em queda e dólar encosta em R$ 5,58 (Foto: Reuters)

Infomoney - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (23) e voltou a patamares de junho em mais um pregão volátil, com a Bolsa chegando a ter leve alta à tarde puxada pelas ações da Vale (VALE3). O que pesou negativamente foi o exterior, em um novo dia de sell-off nas ações de empresas de alta tecnologia dos Estados Unidos.

Lá fora, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram 1,92%, 2,37% e 3,02% respectivamente. As ações da Amazon caíram 4,1% e as do Netflix se desvalorizaram em 4,2%, mesma variação dos papéis da Apple. Facebook recuou 2,3% e Alphabet (controladora do Google) teve queda de 3,5%.

Segundo analistas consultados pela CNBC, essa venda generalizada tem a ver com manchetes conflitantes a respeito do coronavírus. Enquanto o mundo se prepara para uma vacina, a segunda onda atinge em cheio a Europa.

Autoridades de Madri, na Espanha, pediram uma ajuda urgente para contratar centenas de médicos estrangeiros e reforçar o policiamento para enfrentar o novo surto.

Com isso, o Ibovespa terminou o dia em queda de 1,6%, aos 95.734 pontos e volume financeiro negociado de R$ 25,181 bilhões. Foi o menor patamar de fechamento do índice desde 30 de junho, quando o benchmark encerrou a sessão cotado em 95.055 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial registrou ganhos de 2,18%, cotado a R$ 5,5868 na compra e R$ 5,5876 na venda. Já o dólar futuro para outubro registra alta de 2,2%, a R$ 5,591 no after-market.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu cinco pontos-base a 2,96%, o DI para janeiro de 2023 avançou 10 pontos-base a 4,44%, o DI para janeiro de 2025 teve alta de 14 pontos-base a 6,43% e o DI para janeiro de 2027 registrou variação positiva de 17 pontos-base a 7,42%.

Entre os indicadores internacionais, o IHS Markit composto dos EUA caiu de 54,6 pontos em agosto para 54,4 pontos em setembro. Apesar do número ainda estar acima de 50 pontos, o que indica expansão da atividade econômica, o recuo é sintoma de uma desaceleração nessa retomada.

Destrinchando o dado, o IHS de serviços recuou de 55 pontos para 54,6 pontos, abaixo da mediana das projeções dos economistas compilada pela Reuters, que apontava para uma desaceleração menor, aos 54,7 pontos. Já o IHS de manufatura subiu de 53,1 pontos em agosto para 53,5 pontos em setembro, acima da mediana das expectativas, que era de estabilidade no indicador.

Além disso, alertas de dirigentes do Federal Reserve sobre a necessidade de estímulos para sustentar a recuperação da economia em meio ao impasse sobre novas medidas no Congresso dos EUA voltaram a pesar sobre os ativos globais, com reflexos sobre os mercados domésticos.

Por aqui, o foco esteve na expectativa de déficit fiscal maior e o resultado acima do esperado para o IPCA-15. O Ministério da Economia elevou para R$ 861 bilhões a expectativa de déficit primário em 2020, segundo relatório divulgado na noite de ontem, o que representa um aumento em relação ao déficit de R$ 787,45 bilhões esperado para as contas públicas no relatório de final de julho.

Também no cenário doméstico, cresce a expectativa de criação de um imposto sobre transações digitais, depois que o presidente Jair Bolsonaro deu sinal verde à ideia. Segundo a Folha de S. Paulo, agora o governo buscará o apoio do centrão para apresentar a proposta ao Congresso. A expectativa é levantar R$ 120 bilhões por ano com o novo tributo, nos moldes da extinta CPMF.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – Base 15 (IPCA-15) subiu 0,45% em setembro na comparação mensal, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A expectativa dos economistas, segundo consenso Bloomberg, era de que a inflação medida pelo IPCA-15 apontasse alta de 0,39% em setembro na comparação mensal

No exterior, a atividade econômica europeia mostrou um crescimento mais lento em setembro, com o índice de gerente de compras (PMI) Markit em 50,1, abaixo dos 51,9 vistos em agosto. Mesmo assim, leituras acima de 50 indicam expansão da atividade.

Antes disso, a Espanha revisou sua previsão de Produto Interno Bruto (PIB) para uma queda de 17,8% no segundo trimestre na comparação com o período anterior, menos severa que a estimativa anterior de queda de 18,5%.